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terça-feira, 13 de julho de 2010 | Autor: DeRose

Mas como é na Índia?

Eu viajei para a Índia durante 24 anos. Frequentei vários tipos de estabelecimentos, desde as escolas até os mosteiros, dos mais sérios aos que já estavam contaminados pelo consumismo ocidental – e percebi as diferenças. Mas, em todos eles, ocorria um mesmo fenômeno. Os alunos indianos entravam na sala de aula com cara normal e roupa normal, muitas vezes praticando de calça e camisa. Os ocidentais, no entanto, pareciam um bando de alucinados que se destacavam dos hindus por serem os únicos a estar vestidos com “roupa indiana”, isto é, o equivalente àquelas camisas hipercoloridas e cheias de flores que os turistas estrangeiros usam no Brasil por acharem que aqui é assim que o povo se veste. Será que não percebem que nenhum brasileiro está portando aquelas camisas espalhafatosas, ou que nenhum indiano está vestindo a tal de “roupa indiana” (especialmente as famosas “saias indianas”, que nenhuma indiana veste)?

Durante a aula de Yôga, os hindus preservam a fisionomia de pessoas perfeitamente normais, sorriem, interagem com os colegas e com o instrutor, às vezes até fazem gracejos. Os ocidentais, pelo contrário, mantêm-se muito taciturnos, com cara de santo cristão e, às vezes, babam um pouco.

Frequentemente os instrutores que levei em minhas viagens, para conhecer o verdadeiro Yôga da Índia, observaram:

– DeRose, você já percebeu que os ocidentais ficam com cara de malucos quando entram numa sala de Yôga e que os indianos são como nós do SwáSthya e preservam a cara normal?

Pois é. Aí está o x da questão. O ocidental vai à Índia, olha, mas não vê. Ouve, mas não escuta. Tanto que volta falando “ióga”, embora todos lá pronunciem Yôga, com ô fechado. É uma questão de paradigma. O ocidental enfurnou no bestunto que Yôga deveria ser de uma determinada forma. Depois ele viaja para a Índia e não consegue perceber que lá é diferente do clima cristianizado, naturéba e alternativoide que grassa no Ocidente.

Uma das fantasias é que na Índia – e nas escolas de Yôga desse país – só se coma pão integral, arroz integral, açúcar mascavo e outros modismos ocidentais. Só que não é assim. Nas escolas de Yôga come-se muito bem, desfruta-se uma comida deliciosa (obviamente vegetariana!), bem temperada e, fora isso, normal. Certa vez, uma pessoa que estava no nosso grupo pediu arroz integral ao garçom do restaurante em Nova Delhi. O empregado trouxe arroz branco. A brasileira mandou voltar e instruiu-o com mais ênfase:

– Olha, meu filho, eu quero arroz integral, compreendeu? Arroz in-te-gral!

O coitado voltou com outra porção de arroz branco. Percebendo que não agradara, explicou:

– Mas o arroz está inteirinho, Madame. Eu mesmo ajudei o cozinheiro a catar só os grãos que não estavam quebrados.

Hoje já há alguns estabelecimentos com opções integrais para atender a turistas, assim como já existem escolas de Yôga para satisfazer os devaneios dos que pagam bem para que lhes vendam o que eles querem comprar, ou seja, aquilo que o ocidental pensa que o Yôga é.

 
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sábado, 10 de julho de 2010 | Autor: DeRose

O outro lado do encontro com o Mestre

 

Estou com 18 anos de idade. Leciono Yôga desde os 16. Pratico Yôga há 5000 anos. “Nestas roupagens e nestas paragens” não sei ao certo quando comecei. Foi gradual. Um dia, um mudrá. Noutro dia, um pránáyáma. Noutro mais, um dhyána. Mais tarde, assisti à entrevista de um desportista que praticava coisas semelhantes às minhas e declarou que aquilo era Yôga. Certa vez, caiu-me nas mãos um livro de Rája Yôga, de Vivêkánanda. Nele, encontrei uma série de conceitos e técnicas que vinha desenvolvendo sozinho. Suspirei aliviado: “Então eu não era maluco! Havia mais alguém que pensava como eu!” Com o livro, descobri que aquilo já existia e tinha nomes em sânscrito.

Em pouco tempo devorei centenas de livros. Não apenas os de Yôga, pois esses citavam outros e eu recorria também a eles como fonte de apoio e conhecimento. Logo percebi que a maioria era puro engodo ou devaneio de seus autores. Contudo, no meio havia obras sérias e respaldei-me nessas. Hoje, aos 18, já li toda a bibliografia disponível e pratiquei tudo o que podia, com uma disciplina espartana. Sou estudante, vivo com meus pais, portanto, não preciso trabalhar para viver. Dedico tempo integral ao Yôga, inclusive o período escolar, pois passo as aulas de Física, Química, Matemática, Latim, a estudar os livros de Yôga.

Para que meus amigos não interferissem convidando-me a passeios, festas e namoros, pedi aos meus pais que me matriculassem no colégio interno, assim poderia praticar mais. Tive um grande progresso no desenvolvimento da musculatura e no incremento da saúde. Consegui um avanço razoável quanto às paranormalidades e estados de consciência. Mas estaria no caminho certo?

Todos os livros enfatizavam a necessidade de ter um Mestre de carne e osso. Então, procurei alguns autores de livros de Yôga. Mas, ao expor-lhes minhas experiências e estados de consciência expandida conquistados com a prática, todos, sem exceção, assumiam uma atitude de falsa humildade e diziam: “Oh! Quem sou eu para lhe ensinar? Eu não sei nada sobre Yôga. Não posso ser Mestre de ninguém.” Até que um dia perdi a paciência e questionei:

– Se você não sabe nada, como é que ousou escrever um livro sobre Yôga? Estava plagiando outros autores? Ou estava inventando? Acaso não sabe que, ao publicar isso, as pessoas leem de boa fé e acreditam nas suas palavras, nos ensinamentos de quem “não sabe nada”?

Não percebi na hora, mas esse meu desabafo feriu o orgulho disfarçado daquele professor e ele viria a se tornar um arquiinimigo implacável pelo resto da vida. Como ele era um homem poderoso durante a ditadura, desencadeou em todos os adeptos da ióga um hábito de me excluir, perseguir e difamar. Depois, um imitava o outro sem saber nem por que o fazia, mas agia assim porque “cão mordido, todo o mundo quer morder”.

Continuei praticando sozinho. Não obstante, alguns autores hindus alertam para os perigos de praticar só. Notei logo um problema. Meu ego foi tão esvaziado que começo a ter dificuldades de conversar com as pessoas, pois não consigo mais conjugar os verbos sem a primeira pessoa do singular. Como dizer “eu gosto de você”, sem o eu? Ainda que não pronunciasse a palavra eu, esse sujeito estaria oculto na frase, mas estaria lá – pois não há sentença sem sujeito. Teria que usar construções como “este ser gosta de você” ou “este corpo está com fome”. Mas aí, mesmo meus alunos de Yôga considerariam muita excentricidade. Então, fico calado. Afinal, não eram os próprios monges hindus que louvavam o silêncio? Alguns desses swámis recomendavam: “Quem pratica Yôga fala o mínimo possível para não gastar energia, e não sorri pelo mesmo motivo”. Só que outros livros criticam essa atitude, denunciando que o Yôga nunca aconselhou tal coisa e que os monges afirmavam que sim por viver num monastério – que é sabidamente lugar silencioso – e confundiam a norma monástica com o Yôga em si.

Os que criticam a austeridade dizem que tal comportamento poderia conduzir a distúrbios psíquicos, alienação, perda de contato com a realidade. Estaria eu descambando para um caminho errado? Só um Mestre de carne e osso poderia me orientar, mas não há ninguém!

Li, em vários livros, histórias de discípulos que contestavam seus Mestres, que os desobedeciam ou traíam. Que ingratos! Tudo o que eu quero na vida é ter um Mestre, e eles o têm e desprezam-no!

Estou tão só na senda! Às vezes, elevo o pensamento ao meu Mestre, pois ele deve existir e deve estar em algum lugar. Imploro-lhe que me apareça e não consigo conter a emoção: as lágrimas lavam-me o rosto.

Começam as férias escolares. Passo a praticar muito mais. Acordo às 3 horas da manhã para iniciar as práticas às 4 em ponto na praia deserta. Apesar do verão, a essa hora faz frio. Mas sou um brahmáchárya cumpridor. Controlo o frio, o calor, a fome, a sede, o sexo, a dor, tudo… Algo me diz que isto não está certo. Ir contra a natureza não pode ser saudável. No entanto, os livros que apoiam essa minha convicção são poucos. A maioria é extremista. O que fazer? A quem recorrer? Não quero ser indisciplinado, portanto, evito a colocação: “eu não concordo”. Quem sou eu para não concordar? Devo recolher-me à minha insignificância de discípulo e acatar tudo. Porém, estou apenas seguindo livros. Se eu encontrasse um Mestre que me dissesse o que fazer, poderia assumir uma posição definida. Se ele me dissesse que estou errado e que é preciso negar a Natureza e exercer controle absoluto sobre minha sensorialidade eu prosseguiria nessa linha sem pestanejar. Ou, se ele ensinasse que a Natureza deve ser observada e que nosso comportamento deve ir a favor e não contra ela, eu pararia de me violentar como conseqüência da leitura de livros de linha vêdánta-brahmáchárya.

É difícil compreender que alguém contando com a felicidade de ter um Mestre, possa desacatar sua orientação. Deve ser ego! Muito ego! Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Então, eu não devo estar pronto. Quem sabe, eu iria questionar e desobedecer. Talvez, até trair? Não! Trair, não!

Passei a dedicar longas horas a um honesto exame de consciência para saber se esse é o problema. Para descobrir se o Mestre não aparece por eu não ter ainda a maturidade, a disciplina, a fidelidade que se precisa devotar ao Mentor.

Lembrei-me de um desenho que fiz quando era mais novo, de um rosto ancião. Seria ele? Teria eu capturado sua imagem diretamente dos planos superiores? Por que, então, não o vejo? Por que não o ouço? Que droga!

Desenvolvi algumas aptidões, mas nenhuma delas me permite ver coisas ou ouvir os seres dos planos sutis. Afinal, as pessoas do ambiente que freqüento nas fraternidades espiritualistas, restaurantes vegetarianos e livrarias orientalistas, todos vêm e ouvem uma profusão de Mestres, entes e coisas. Aprendo muito com a intuição, porém, devo convir que ela não é tão espetacular quanto a clarividência e a clariaudiência. Contudo, semana passada (julho de 1962), conversando com um aluno meu de Yôga que é psiquiatra, tive a satisfação de saber que não ver nem ouvir coisas me deixa mais perto da faixa da normalidade. Já é um alívio. Então, me conformo. Mas só um pouco.

Escrevi um texto que leio todas as noites, no qual comprometo-me a respeitar, amar e acatar tudo o que vier do meu Mestre, se eu vier a ter um, mesmo as reprimendas e punições, com a mesma humildade e carinho:

Compromisso de fidelidade.

Ao meu Mestre, prometo valorizar seus ensinamentos e cumpri-los sem questionamento. Prometo ser leal e fiel. Prometo ser grato por tudo, para todo o sempre. Mesmo que eu não possua lucidez ou evolução suficientes para compreender, prometo acatar suas palavras e retribuir com lealdade, fidelidade e serviço. Meu lema é Aprender e Servir. Ainda que o Mestre me imponha as mais duras provas e as mais ríspidas punições, prometo aceitar a tudo com humildade. E, por piores que sejam as sanções, meu amor pelo Mestre será preservado e crescerá a cada dia.”


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terça-feira, 15 de junho de 2010 | Autor: DeRose

Na verdade, não mudamos nada. A grande novidade é que não temos novidade nenhuma. Com o incremento do Método DeRose, apresentamos uma nova abordagem, mas o conteúdo é antigo e nada mudou. Trata-se de apenas uma visão mais expandida, uma outra percepção da mesma cultura, só que agora, sem estarmos espremidos e asfixiados pelos estereótipos da civilização ocidental que não nos permitiam ser compreendidos pelos nossos amigos e familiares, pela sociedade e pela Imprensa, que nos enxergavam sob a lente colorida e distorcida de um fundo de garrafa por causa do rótulo oriental carregado de pré-concepções.

Como algumas pessoas só leem os posts mas não se deteem nos comentários dos colegas, vou transcrever, abaixo, aos nossos leitores, algumas respostas dadas por eles. Acho que elas podem vir a ser úteis e esclarecedoras para muita gente.

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Fiquei bem feliz com o seu comentário, Emerson. É isso mesmo. Você compreendeu cem por cento. Eu só não diria que “hoje mudou”, porque na verdade não mudou nada. Apenas tomamos consciência de que nestes 50 anos de magistério o Método foi se formatando e se expandindo muito gradualmente, de forma natural, e num dado momento assumimos que fazemos outra coisa. Mas que essa coisa, o Método, continua contendo o Yôga em seu acervo, na parte das técnicas. Por isso, em sala de classe, continuamos pronunciando a palavra mágica. Por isso, continuamos escrevendo e publicando livros sobre esse assunto. Apenas precisamos compreender que o Método engloba essa filosofia hindu milenar, mas não se restringe às suas técnicas e abrange muito mais. O “muito mais” são os conceitos, proporcionando uma visão livre de estereótipos, sem sânscrito e que nos permitirá mudar o mundo. Os conceitos são propostas comportamentais que nos permitem reeducar todos quantos estiverem receptivos para melhorar e crescer, inclusive em civilidade, responsabilidade social e consciência ambiental. Os conceitos juntamente com as técnicas constituem uma cultura. Por isso é importante ter claro que não mudamos nada. Não há nenhuma novidade no conteúdo. É uma nova abordagem de um conteúdo antigo que preservamos com muita reverência. Um beijão para você e seja bem-vindo de volta à egrégora que lhe tem muito afeto.

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luis roldao
Unidade Marquês de Pombal – Lisboa – Portugal

Bom dia, Mestre!

Os jovens hoje estão a começar todas as experiências mais cedo, inclusive as mais destrutivas. Mas entre as aceites pela sociedade, estão sempre a inventar outras, como por exemplo misturar medicamentos.
Mas a ideia que me vem à cabeça é o título daquele post “Nós não temos ideia da nossa relevância”. Com toda a segurança é muito mais forte do que nós nos apercebemos, diariamente. Mesmo há pouco tempo, uma das novas alunas comentava isso comigo, a alegria de todos sem ser preciso beber álcool ou tomar drogas. É lindo!

Grande abraço
Luís Roldão – Unidade Marquês de Pombal/Lisboa

Sempre digo que se tudo o que propomos (respiratórios, técnicas orgânicas etc.) fosse uma inóqua ilusão, ainda assim nosso trabalho mereceria todo o apoio dos pais, da sociedade e da imprensa unicamente pelo fato de manter tantos jovens longe das drogas, do fumo e do álcool.
Um forte abraço, Luís.

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Sou praticante do Centro Cívico.
Vamos ver se eu entendi…
Afirmo, ao indagador, que pratico o Método DeRose no lugar de Swásthya Yôga. Que faço coreografia do Método DeRose e não coreografia de Swásthya Yôga. Não digo a palavra mágica (Yôga) quando mencionar o Método DeRose.
Estou com uma dúvida: No dia 18 de fevereiro que é o dia do Yôga, tenho que evitar associar o termo Yôga com o Método no dia ou vai ser mudado para dia do Método DeRose? Ou então o que digo, uma vez que eu sempre faço a prática no parque aqui em Curitiba neste dia e sempre tem a imprensa entrevistando os praticantes?
Abraço. Alceu

Muito boa questão, Alceu. Muita gente deve estar com a mesma dúvida. Lá vai o esclarecimento:
Quando se tratar de Yôga (por exemplo, quando se comemora o Dia do Yôga) não se menciona Método DeRose. Continuaremos publicando livros de Yôga. Neles, a palavra Yôga, obviamente, aparece. Nesse caso, evitamos usar Método DeRose no texto dos livros. Esse tropeço ainda acontece, mas vamos limpando aos pouquinhos. Numa aula de Yôga, de SwáSthya, dizemos essa palavra várias vezes porque aí estamos tratando da parte técnica do Método e o Yôga está embutido aí, na parte técnica. Assumimos com os nossos alunos que essa palavra pode ser usada sem restrições dentro das nossas escolas, pois quando um de nós verbaliza “Yôga” o outro entende e sabe a quê estamos nos referindo; mas da porta da escola para fora, não usaremos a palavra mágica com os nossos amigos, conhecidos, desconhecidos, colegas de trabalho ou familiares, porque eles entendem outra coisa completamente diferente por essa mesma palavra – e talvez seja isso que ainda está faltando: que os nossos instrutores dêem esta explicação, desta forma, aos seus alunos.
Obrigado por nos ajudar. Um forte abraço para você.

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Luisa Sargento

Mudando um paradigma

Dizem que o Homem é um animal de hábitos e, como tal, usamos isso como desculpa para sistematicamente não acompanharmos o ritmo DeRose, sem perceber o quanto isso prejudica o trabalho geral da egrégora e todo o esforço do mentor para nos levar na direcção certa.

Quem já utiliza o Método DeRose, quando se refere à Nossa Cultura, sabe o interesse que desperta no outro e como isso marca o diferencial, abrindo portas para actuarmos e mostrarmos quem somos e o que é a Nossa filosofia de vida.

Já todos comprovámos o que a palavra mágica induz no outro e como isso prejudica o nosso envolvimento na sociedade e fico muito admirada quando observo que, apesar disto, alguns de nós continuam a usar a dita palavra que se refere apenas à técnica e não engloba os conceitos comportamentais nem teóricos usados por nós.

Ora se nós estamos a caminhar para uma Nova Abordagem de três filosofias ancestrais, cujo nome erudito engloba a tal palavra mágica, mas não queremos que os estereótipos de abordagens diferentes nos acompanhem, temos de urgentemente mudar o paradigma e usar o nome real daquilo com que trabalhamos, sem confundir quem nos ouve.

Um exemplo:
eu chego a uma loja de cupcakes e pergunto à empregada se são queques e ela responde: são uma espécie de queques!
O que é q eu vou pensar: ah afinal são só queques!!!

A mesma situação com resposta diferente:
eu chego a uma loja de cupcakes e pergunto à empregada se são queques e ela responde: não, são bolos que levam estes ingredientes e são ornamentados desta forma, conferindo um aspecto fantástico e um sabor maravilhoso!
O que é que eu vou ficar a pensar: uau vou experimentar, até que os ingredientes são parecidos com os dos queques mas parece-me que são algo mais e não apenas um queque banal.

Assim, acho que temos todos seriamente que pensar no assunto e fazer tudo com a consciência que o Nosso Método nos induz, tendo em atenção os detalhes e actuando de forma profissional, atenta e responsável, pois se assim não for prejudicamos uma egrégora inteira.

beijinhos para todos

Luísa.

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Mario Vendas

Olá Mestre,

Como está? Espero que esteja tudo maravilhoso!

Aproveitando o link deste assunto, será que não corremos o risco da imagem visual do nosso logótipo (o yôgin) passar uma mensagem associada à famigerada palavra mágica?

Queremos afastar a ligação da palavra mágica do Método porém, na mensagem visual podemos criar uma brecha para que possa acontecer isso mesmo, isto pela forte associação da imagem com a palavra em questão.

Penso que ao mantermos o desenho do yôgin ligada à nova abordagem, seria como querer que as pessoas associassem a cor vermelha do semáforo com uma nova perspectiva: de avançar.

Espero que tenha conseguido passar esta perspectiva da melhor forma.

Com admiração,

Mário Vendas

Querido Amigo, ainda estamos em fase de transição. Quase concluída, é verdade, mas todas estas dúvidas que estão sendo respondidas nos trazem à realidade de que a mudança de paradigma está em curso. O ícone do yôgin estabelece o link. Está previsto para em algum momento no futuro não usarmos mais esse ícone. Talvez seja substituído pela nossa flor-de-lis. Talvez por outra coisa. Talvez por nenhum símbolo. Ou, ainda, talvez, quem sabe, permaneça – já que ficou tão bonito. Esperemos que no futuro a palavra mágica e os conceitos a ela atrelados passem a ocupar uma posição mais justa e perfeita na percepção da opinião pública e da Imprensa.

Quanto ao fato de que a presença do yôgin no logo do Método seria como se acendêssemos a luz vermelha de um semáforo e quiséssemos que as pessoas avançassem, devo lhe informar que no Brasil é assim. A luz vermelha do semáforo significa  avançar com cuidado (extra-oficialmente, é claro!). É o que estamos fazendo com o ícone do yôgin.

Um beijão para você, Mário. Suas contribuições neste blog são sempre muito importantes.

terça-feira, 25 de maio de 2010 | Autor: DeRose

Fernando Salvio

Oi Mestre.

É tão bom postar um comentário e receber uma resposta online!

Eu entrei no Youtube esses dias e apareceram esses vídeos como recomendados. Achei bem interessantes pela idade que tem. São, segundo consta na legenda, de 1938.

Peguei até o Ser Forte para recordar a parte das viagens à Índia, e não parei.

Krisnamacharya Yoga Film

Esse aqui mostra uma mulher praticando, que acredito devia ser coisa rara na época, fora escolas Shaktas.

Namagiriammal, Wife of Krishnamacharya.

Iyengar Yoga

Iyengar Yoga 2

Finalmente, para efeito de comparação, vendo uma coreografia da Gi Correa, dá pra ver que estamos um pouco mais avançados nessa área.

Abraços,

Fernando Salvio
Al Campinas — São Paulo — SP — Brasil

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Não só vendo a coreografia da Gisele Correa, mas também a da Michele Hayashi, da Yael Barcesat, do Daniel Suassuna, do Rodrigo Vivas, do Artur Costi, do Guilherme Nunes e tantos outros virtuoses. Você encontra suas coreografias no YouTube.


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quinta-feira, 20 de maio de 2010 | Autor: DeRose

Na verdade, discrimina judeus, muçulmanos, hindus, budistas, jainas, sikhs, adventistas e outras religiões. As companhias aéreas fazem isso sistematicamente, em praticamente todos os voos.

Como?

Não dando opções no cardápio e obrigando os clientes de todos esses grupos religiosos a comer carnes, muitas vezes de porco, ou ficar com fome.

As companhias argumentarão que é possível pedir alimentação especial. O argumento não é válido porque as comissarías não sabem preparar alimentos sem carnes e  oferecem absurdos intragáveis que nenhuma semelhança tem com a gastronomia dessas culturas. Isso, quando os pratos, mesmo errados, pelo menos entram a bordo.

Durante mais de vinte anos eu solicitei alimentação especial, VLML (lactovegetariana) ou AVML (asiática vegetariana) especificando a subdivisão “hindu”. Jamais a comida entrou a bordo corretamente, razão pela qual nunca mais pedi refeição especial e rogo que se você fizer alguma reserva para mim não deduza que eu desejo essa alimentação. Apesar de tal recomendação ser antiga, já que consta de vários livros meus, diversos colegas ao fazer reserva para meus voos recentes, me penalizaram com essa surpresa (pois nem ao menos me consultaram!).

E, por isso, eu havia publicado o capítulo Alimentação vegetariana: chega de abobrinha!, do qual reproduzo o trecho abaixo:

“Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:

– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentação lacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:

– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.

Só que a alimentação vegetariana, para as companhias aéreas, tem outro código, VGML, que designa um sistema bem diferente e absurdamente intragável que só existe na cabeça dos nutricionistas dos caterings. Fico a pensar se VGML é a sigla para VegMeal ou se significa: Você Gosta Mesmo dessa Lavagem?

E se o passageiro sabe mais do que o atendente e adverte-o para que use o código certo, VLML, invariavelmente é deixado na linha esperando enquanto ocorre uma conferência nos bastidores. Às vezes, o som vaza e pode-se escutar:

– Diz prá ele que esse código não existe. Não é vegetariano? Então é VGML.

Certa vez, numa viagem internacional, minha mesinha já estava posta quando tive a infeliz idéia de informar a comissária de bordo que o pedido de alimentação vegetariana era meu. Ato contínuo ela retirou da minha mesa o queijo, a manteiga, a maionese, o pão, o biscoito, o chocolate, a sobremesa e tirou até o sal e a pimenta. No lugar, colocou uma lavagem de legumes cozidos à moda de isopor.

Por que a gentil senhorita fez isso com este simpático cavalheiro? Será que ela pensa que queijo é carne? Que manteiga, maionese, chocolate são algum tipo perigosíssimo de carne de vaca-louca camuflada?

O pior nas viagens aéreas é que se você pedir alimentação VGML ou VLML, o pessoal do catering tira a sua sobremesa como que a puni-lo por ter-lhes dado trabalho. É como se estivessem a ralhar com o passageiro:

– Menino mau. Já que não come a sua carne, vai ficar sem sobremesa.

E você é obrigado a comer legumes cozidos sem tempero ou salada fria com uma uva de sobremesa, enquanto assiste o vizinho de poltrona refastelando-se com um prato quentinho de strogonoff, suflé, parmegiana, milanesa, tudo arrumado com capricho, mais um apetitoso pudim e ainda tem que ouvi-lo comentar:

– Essa comida de bordo é uma porcaria… “