quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 | Autor: DeRose

Comida ruim não é vegetarianismo: é desinformação

Vamos parar com a mania de fazer comida ruim e marrom só para dizer que é saudável. Vou repetir aqui, pois parece que ninguém escuta: comida vegetariana não tem nada a ver com tofu, algas, shoyu, missô. Nem mesmo com açúcar mascavo ou cereal integral. É claro que o cereal integral é melhor do que o refinado. Mas isso não tem nada a ver com comer carne ou não. As pessoas tendem a misturar as coisas. É uma pena.

O pior é que muitos instrutores de Yôga vegetarianos alimentam a confusão ao ensinar, até mesmo em seus livros, receitas preconceituosas, que sucumbem à nefanda moda naturéba.

Certa vez, eu estava dando um curso de formação de instrutores de Yôga na Universidade Federal de Santa Catarina e a aula que precedia o almoço era justamente sobre alimentação vegetariana. Desdobrei-me para fazer uma turma de 120 alunos aspirantes à profissão convencerem-se de que o nosso sistema alimentar não tinha nada a ver com a macrobiótica, nem com a alimentação natural; que a nossa era colorida, aromática, saborosa. Terminada a aula, os alunos saíram para almoçar. Havia um stand da Wanda, instrutora que havia pedido permissão para vender lanches, sanduíches, salgadinhos e doces à saída dos alunos a fim de facilitar a vida deles, pois poderiam comer ali mesmo enquanto não recomeçavam as aulas do período da tarde. Quando saí da sala de classe, deparei-me com todos aqueles estudantes comendo salgados marrons, doces marrons, pães marrons, tudo no mais perfeito look macrobiótico – linha que a instrutora que vendia os alimentos jurava já não seguir mais.

Você consegue imaginar a minha reação? Com que cara eu iria enfrentar aqueles 120 alunos que me ouviram dizer uma coisa e na prática constataram outra? “Então é essa comida marrom intragável que o Mestre diz que é deliciosa, colorida e aromática?”

Obviamente, na volta do almoço a aula foi sobre a falta de sinapses nos neurônios dos instrutores de Yôga, falta de receptividade ao ensinamento tradicional do Yôga, falta de fidelidade ao que o ministrante acabara de transmitir e falta de cultura. Sim, falta de cultura, pois ensinavam Yôga e não tinham a mínima idéia do que se come no Yôga.

Mas, afinal, qual é a alimentação vegetariana autêntica? Cada qual afirmará que é a sua vertente. E existem muitas! No entanto, noves fora, isto é, egos fora, a pergunta que não quer calar é: Qual é a alimentação vegetariana mesmo?

Simples. De onde veio o Yôga? Da Índia. Qual é o único país vegetariano do mundo? A Índia. Há quanto tempo eles praticam isso? Há milênios, não é modismo, não! Então, meus amados, não há dúvida. A alimentação vegetariana por excelência (o sistema adotado pelo Yôga) é o da Índia.

Quer saber como é a comida da Índia? Ela não tem os pratos de carne de cordeiro nem de frango que se encontram nos restaurantes indianos ocidentais. Noventa e nove por cento da população indiana é lacto-vegetariana – de fato – e os pratos são incrivelmente condimentados. Fabulosamente condimentados por uma constelação de especiarias. Não é de se estranhar, afinal, como aprendemos na escola, a Companhia das Índias Orientais enriqueceu muita gente comercializando as tais especiarias vindas de lá. A índia é o país das especiarias. Consequentemente, é a gastronomia mais saborosa do planeta! Essa é a nossa alimentação, apenas moderando um pouco nos temperos porque os ocidentais não aguentam tanta ardência.

11 comentários

  1. 1
    Marco Carvalho
    quarta-feira, 21 de janeiro de 2009 às 23:25
    swasthya.marcocarvalho.com
     

    Duas coisas acho estranho quando encontro:

    - Comida inteira amarela (colocam curry em todos os pratos).
    - Pimenta em níveis impossíveis de sentir o gosto dos outros temperos…

    Concordo com o marrom… e o pior.. marrom e amarelo, todos os pratos em tons que variam do marrom ao amarelo… uma deprê total eheheh.

    Marco Carvalho Reply:

    Aliás… o que vejo é que o pessoal acha que variar no tempero significa entupir de pimenta.

  2. 2
    Regina W. Zarling
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 2:27
    yogabatel.blogspot.com
     

    Realmente o preconceito é grande. Uma vez, no reveillon, preparei um strogonoff DeRose para Sara. Antes de provar meu tio, que estava passando as férias em nossa casa de praia ficava falando, comida sem carne, que coisa mais sem graça! A medida que eu ia colocando os temperos, começou a mudar o discurso, hum que cheiro gostoso!!. Finalmente, depois de pronto, disse, vou experimentar para não te fazer desfeita.. ( na verdade devia é estar com água na boca) E por fim, acabou dizendo: Eu nunca comi um strogonoff tão delicioso em toda minha vida!

  3. 3
    Ana Claudia
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 7:54
    yoganorio.com
     

    Hummmmm… fiquei com uma vontade de strogonoff DeRose , ou daquelas comidinhas deliciosas da Rô no Festival de Saquarema… hummmm
    Beijinhos e saudades

  4. 4
    Luc
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 10:27
     

    CONTRIBUIÇÃO MINEIRA: ANGU TEMPERADO

    Esta é a receita:
    http://receitas.maisvoce.globo.com/Receitas/Acompanhamentos/0,,REC23710-7774-10+ANGU+DE+MILHO+VERDE+TEMPERADO,00.html

    Eu gosto de acrescentar coentro e mais temperinhos.

    Ingredientes:

    -10 espigas de milho verde mole
    -400g de queijo minas fresco
    -sal
    -óleo
    -cebola
    -alho
    -cheiro verde a gosto

    Modo de Preparo

    Bata no liquidificador 6 espigas cortadas com um pouco de água
    até cobrir os grãos. Depois coe em uma peneira fina e reserve
    este caldo. Pique o restante das espigas na mistura já coada.

    Leve ao fogo em uma panela untada com óleo e frite os temperos
    sem deixar dourar. Cozinhar a mistura até engrossar e levantar
    bolhas. Em um refratário forre com queijo ralado no ralo grosso.

    Despeje o angu e junte o cheiro verde e dê uma leve misturada.
    Sirva ainda quente.

  5. 5
    Júlia Calderoni
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 10:28
    casadoyoga.com.br
     

    É impressionante como, no século XXI, na era globalizada, onde a internet lhe conecta ao que você quiser em questão de segundos, tanta gente legal, de bom nível cultural ainda seja tão ignorante e preconceituoso com relação ao vegetarianismo.
    Antes de parar de comer carne eu tinha, pelo contrário, uma alimentação muito mais insípida do que agora: descobri um mundo de cores, sabores e texturas diferentes! E a culinária indiana é a melhor para isso!

    Hum… agora meu deu até vontade de comer uma samossa! Hehe

    beijão Mestre!

  6. 6
    DeRose
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 12:12
    uni-yoga.org
     

    Um samosa, Julia. O s tem som de dois ss, como em ásana. E termina com a, então é masculino como Yôga. Desculpe, querida, é o vício de quem ensina há meio século! Beijinhos do DeRose.

  7. 7
    DeRose
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 12:15
    uni-yoga.org
     

    Eu aprovo, Luc. Já tive o privilégio de degustar seu angu e foi a coisa mais saborosa. Quando vou poder prová-lo outra vez?

  8. 8
    Silvana Pegoraro
    quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 15:27
     

    Olá!! Não poderia deixar de comentar….o sistema alimentar do Yôga é simplesmente fantástico!! Muitas cores, sabores, aromas. Amo muito tudo isso e quero aprender bastante ainda….beijo enorme Mestre!

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