A caverna de Altamira
No final do século XIX um arqueólogo, Marcellino de Sautuola, estava pesquisando o solo de uma caverna na Espanha que continha traços de fogueiras e ossos de animais usados na alimentação dos homens pré-históricos. Nessa ocasião não prestou atenção senão ao solo, de onde retirava restos de ossos. Os arqueólogos sempre olhavam para o chão, era o seu paradigma.
Um dia, no verão de 1879, levou consigo sua filha Maria, de 12 anos de idade. Foi ela quem primeiramente observou as pinturas numa parede da caverna. As crianças estão habituadas a olhar para cima, pois o mundo que as cerca é um universo de adultos, em que as coisas são mais altas do que elas. Assim, ela olhou, não para o chão, mas para as paredes da caverna. Viu algo interessante e chamou o pai, mas este estava muito ocupado para dar atenção aos devaneios de uma criança. Ela insistiu e ele admoestou-a. Afinal, ele estava trabalhando. Estava encontrando fragmentos de carvão muito interessantes…
Até que, em dado momento, devido à insistência da pequena, ele acedeu e olhou para cima. Diante deles, enormes obras de arte rupestre fizeram o coração de Marcellino bater mais forte. Havia pinturas executadas com uma magnífica policromia em tons de vermelho, negro e violeta, a maioria medindo cerca de 9×18 metros. Lindos bisontes, cavalos e outros animais lindamente pintados em cores, perfeitamente preservados após todos aqueles milhares de anos! Nunca antes tais pinturas haviam sido encontradas. Que descoberta revolucionária sobre a natureza dos homens das cavernas!
Era mesmo uma descoberta notável, que iria contribuir enormemente com a arqueologia. Ao invés de olhar para o chão e revirar lixo paleolítico, os cientistas olhariam para cima e estudariam arte! Conceitos sobre a rudeza e sobre os limites do cérebro dos trogloditas seriam revistos. Seu nome ficaria para sempre famoso e reverenciado. Os livros escolares mencionariam sua descoberta. Ele apressou-se a reproduzir em papel os desenhos encontrados e comunicou a Academia de Ciências.
Colegas cientistas nem sequer visitaram a caverna de Altamira, onde foram descobertas as primeiras pinturas rupestres da história. Apenas analisaram cuidadosamente a reprodução das pinturas no livro de Sautuola e emitiram suas doutas opiniões: o descobridor era um charlatão. Homens das cavernas não seriam capazes de pintar tão belos animais e com técnicas de tal forma sofisticadas. Mesmo que o fizessem, as pinturas não durariam tantos milhares de anos desprotegidas, dentro de cavernas úmidas. Veredictum: o arqueólogo teria pintado, ele mesmo, as paredes de pedra para fazer-se passar por um grande descobridor e ficar célebre.
Como retribuição por ter feito uma das mais importantes descobertas arqueológicas, Sautuola foi acusado de haver forjado as pinturas dentro da caverna! Como sempre ocorre nesses casos, havia um perseguidor-mor que orquestrou a difamação e conseguiu que ele fosse expulso da Academia. Acusado de fraude numa campanha impiedosa movida contra ele pelo idoso pré-historiador francês Éduard Cartailhac, Sautuola foi expulso de todos os círculos científicos. Ninguém lhe concedeu direito de defesa e seu nome passou a ser sinônimo de charlatanismo. Tornou-se impiedosamente perseguido, injuriado como um vigarista. Seu nome foi enlameado pela imprensa. Nos anos que se seguiram, não podia nem mesmo sair à rua, pois era agredido verbalmente pelos transeuntes.
Certa vez, ao sair para tomar um pouco de sol, um desconhecido cuspiu-lhe na cara, gritando: “Impostor!” para que os circunstantes escutassem. Todos os demais cientistas, a imprensa e a opinião pública passaram a difamar e humilhar tanto o pobre homem que pouco depois, em 1888, Sautuola morreu de desgosto.
Decorridos alguns anos, entre 1895 e 1901, outros arqueólogos encontraram pinturas semelhantes em cavernas na França e em toda a Europa. Não havia outra saída para o ilustre cientista que difamara o pobre descobridor das pinturas rupestres, senão confessar que errara e apresentar suas desculpas póstumas à filha do arqueólogo injustiçado, agora adulta. Maria, com toda a razão, não aceitou as desculpas e acusou Cartailhac publicamente de ser o responsável pela humilhação e pela morte do pai. Nenhum pedido de desculpas compensaria a amargura dos ultrajes sofridos ou a própria morte. Como diz a máxima: “A verdade sempre resplandece no final, quando todos já foram embora.”
Se você conhecer outros casos semelhantes, por favor, informe-nos. Obrigado.





terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 12:26
lauro.valente.eng.br
Mestre, será que não seria melhor:
“A verdade sempre resplandece. As vezes somente no final, quando todos já foram embora.”
?
Um abraço
DeRose Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 12:33
Não posso alterar a frase, Lauro. Ela não é minha. É uma citação. Infelizmente, não me lembro do nome do autor. Mas valeu a sugestão. Ela ficaria menos radical. Por outro lado, perderia o impacto que o autor quis conferir. Abraços do DeRose.
Lauro Valente Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 12:38
Obrigado! Achei que fosse sua! =)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 13:01
julianatoroswasthya.multiply.com
Pois é Mestre,pobre arqueólogo que não possuia gente forte ao seu lado para lutar com ele pela verdade que ele apresentava ao mundo.
Tiro desta história duas conclusões…
1-Nem todos estão preparados para evoluir no mesmo ritmo que nós,algúns simplesmente não tem olhos para ver algo além.Não adianta nossa boa vontade em querer explicar.
2-O apoio, termos ao nosso lado pessoas que acreditam no mesmo que nós é muito importante!Uma pessoa dizendo uma verdade pode ser uma fraude, muitas pessoas dizendo a mesma coisa,merece ao menos que se vá conferir.
Beijo enorrrmeeee =D
DeRose Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 13:12
É, querida Juliana Toro, mas para isso é preciso que muitas pessoas se manifestem e digam a mesma coisa, escrevendo artigos e colunas nos jornais e revistas, publicando livros e dando entrevistas na grande Imprensa. Lebremo-nos de que “o silêncio é cúmplice da omissão”. Enquanto os milhares de instrutores do Método DeRose e as dezenas de milhares de alunos se mantiverem cômodamente no silêncio dos inocentes, a percepção que a opinião pública terá poderá ser exatamente o contrário: a percepção de que só o DeRose afirma estes valores, enquanto “muitas pessoas” estão afirmando o contrário! É preciso que as nossas “muitas pessoas” se manifestem e façam-se ouvir. Caso contrário, eu me sinto uma voz solitária, pregando no deserto. Por favor, divulgue isto a todos. Beijinhos do seu amigo DeRose.
Juliana Toro Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 23:47
Pode ter certeza Mestre de que estou contigo engrossando esse coral de vozes! E vou divulgar a todos que puder e convidar a todos que façam o mesmo!
Beijos muitos muitos!!
=D Juju
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 14:10
O senhor afirma, nos seus livros, que foi difamado injustamente. Alguém já te pediu desculpas por isso?
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 14:12
yogabatel.blogspot.com
Infelizmente está incutido na maioria das pessoas inconscientemente talvez um paradigma, de que enquanto estás vivo, têm o direito de massacrá-lo.Afinal, assim ele se tornará um nada, e a pessoa perseguidora, chefe de uma revolução, de uma campanha. Não importa,ela será herói (heroína). E ele será um impostor, um difamador, será tratado como um verme. Depois de morrer, se for preciso então,se desculpa com seus familiares e passa a perseguir outra pessoa. Ou acham que teria aprendido a lição? Não pessoas assim, só sentem prazer em atitudes mesquinhas, são alimentadas pela inveja.
Isso me faz ver a sorte que tive de ter encontrado esta egrégora, e a sorte que tenho de estar há tantos anos fazendo parte dela. Mais do que toda essa sorte,o dever de defender cada um desta família. Não apenas defender, mas não permitir que as ofensas e as difamações vindas do lado de fora, ultrapassem os nossos elogios. Não podemos tomar a posição de coitadinhos, estão falando mal de nós, vamos abaixar a cabeça e chorar..Não! Precisamos ser guerreiros, levantar a espada da verdade!Precisamos falar, opinar, deixar nossas palavras em todos os meios de comunicação. Fazer a opinião pública, a imprensa, a sociedade, saber quem realmente somos. E não saber aquilo que os invejosos retratam de maneira inescrupulosa.
Beijos
Re
Everton Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 17:21
É incrivel isso né mas eu também acho que existam pessoas que se alimentam de inveja. Não é impressionante isso? Elas não devem saber o que estão fazendo e agem por reflexo. Pelo menos eu só quero acreditar nessa hipótese pois qualquer alternativa em contrário deixa a imagem muito muito feia.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 14:17
YogaKobrasol.com.br
Mestre, lendo este post e o seu comentário, lembrei-me de dois sútras seus:
“A importância de uma idéia pode ser medida pela veemência com que seus adversários a atacam”.
“Quanto mais se golpeia um gongo, maior será a quantidade de pessoas que o escutam”.
Extraído do Livro Sútras – Máximas de Lucidez e Êxtase – Autor DeRose.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 14:40
anahiflores.org
Gosto da frase: “A verdade sempre resplandece no final, quando todos já foram embora.”
Porém, é tão bom quando resplandeze antes de todos irem embora…
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 15:04
Mestre,
Pensando friamente, é dificil julgar esta situação, quem estava errado na época? Neste período havia muitos charlatões querendo tirar proveito para interesse próprio, havia muitos jogos de poder e também não disponibilizava de muitos recursos para as pesquisas, como acontesse hoje. Eu penso que, as pessoas as vezes, pegam pesado quando sentem inveja em relação a vitória de outro que não seja eles mesmos. A inveja é um defeito que corrompe o homem. Apesar que, nesta história deve haver fatos não contados. Não acredito que alguém morra de desgosto por conta de uma difamação. Para chegar a este ponto o homem deve ter passado um inferno em sua vida, porém não acho o motivo para morrer. Se não havia instrumentos ou estudos para a validação da descoberta, que as pessoas aguardasse alguém para validar antes de desacreditar o homem.
Bom, sei que a mensagem que o senhor quis nos transmitir é de que “A verdade sempre resplandece no final, quando todos já foram embora”, infelizmente o Sautuola não soube esperar, deixando se influênciar pela situação.
Confesso que este texto mexeu um pouco comigo. Só um pouquinho… rsrs
Adoro este blog, é muito culto e interessante… Agora voltarei ao trabalho.
Um forte abraço
Alexandre
Everton Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 16:36
Quanto a morrer de desgosto, a psicossómatica já explica muita coisa hoje, para se somatizar um câncer não precisa muito.
Everton Reply:
fevereiro 17th, 2009 at 16:51
Causa mortis: câncer. Agora se distrinchar o imaranhado de cadeias do underground se verá uma imensidão de conflitos emocionais. Um dia desses, eu estava passando tranquilo pela rua, e ao meu lado uma pessoa teve um ataque cardíaco, pude ver com precisão a explosão que acontece no coração no momento de um ataque desses. Uma onda que partiu do peito do sujeito foi varrendo todo o corpo dele até que ele caiu estirado no chão já completamente sem vida. Uma explosão, foi isso que vi, agora vai saber a quantidade de situações que infligia aquele homem. É claro sem falar da alimentação com carnes que muito provavelmente ele fazia.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 16:22
Esse comportamento (da humanidade) nasce do medo de perder o swadhá que os indivíduos têm conquistado. Medo irracional pois o douto não iria perder a sua cadeira pela descoberta do outro. Se acrescentar mais uma pitada de acomodação para que venha o desejo de que a verdade se enquadre à concepção estabelecida faltará pouco para se fechar os olhos e lutar para se encobrir os fatos.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 18:14
yogaenbelgrano.com.ar
Hola Maestro!
Me encantó la historia,
un abrazo fuerte desde argentina!
Alex
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 21:30
Me dieron ganas de compartir un breve texto que leí hace pocos días. Es del libro -Bocas del Tiempo- de Eduardo Galeano y trata precisamente del tema de este post.
Se intitula “Historia del arte”:
“-¡Mira, papá! ¡Bueyes!
Marcelino Sautuola echó atrás la cabeza. Y a la luz del farol, vio. No eran bueyes. En el techo de la caverna, manos maestras habían pintado bisontes, ciervos, caballos y jabalíes.
Poco después, Sautuola publicó un folleto sobre esas pinturas que había encontrado, de la mano de su hija, en la cueva de Altamira. Eran, según él, obras prehistóricas.
De todas partes acudieron espeleólogos, arqueólogos, palentólogos, antropólogos: nadie le creyó. Se dijo que el autor de las pinturas era un artista francés, amigo de Sautuola, o algún otro chistoso de la vanguardia estética europea.
Después, se supo. Aquellos remotos cazadores del paleolítico no sólo habían perseguido a los animales. Por conjuro contra el hambre y contra el miedo, o por el puro y simple porque sí, también habían perseguido a la belleza que huía.”
¡Gracias por las reflexiones que nos suscita tu blog, por las experiencias que nos acerca el SwáSthya y por inspirarnos a diario a dar algunos pasos más en el fascinante camino del autoconocimiento!
Abrazo grande
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 21:48
yogaweb.com.pt
Já tinha ouvido o Mestre a contar esta história chocante. Infelizmente, este tipo de situações sempre ocorreram nos anais da história e, certamente, continuarão a ocorrer.
A inveja, tal como a maledicência, é um sentimento que vicia quem a tem. Gera um tipo de adrenalina viscosa que se entranha profundamente nas células e que se pega aos outros através do canal emocional.
Felizmente que no SwáSthya Yôga aprendemos a ter consciência destes sentimentos e sabemos como transmutá-los em sentimentos nobres.
Todos os grandes Homens, de uma ou outra maneira, são perseguidos no seu tempo. O Mestre é um exemplo vivo disso. No entanto, agora possuímos uma ferramenta que nunca existiu até aos dias de hoje: a internet, que leva a nossa palavra, à velocidade da luz, aos quatro cantos do mundo.
Com os blogues e os sites já estamos a fazer alguma coisa para o elevar da nossa cultura e expansão do Método DeRose. Mas, não chega. É preciso entrevistas, artigos de opinião e eventos. E escrever livros. E param-pará.
Ainda há muita gente que não sabe quem somos nós. E ainda há muitos que sabem mas têm uma opinião pouco coerente com a realidade.
Acredito que todos temos um desígnio à face da Terra. O nosso é lutarmos por um mundo melhor e fazermos prevalecer aquilo em que acreditamos, ou seja,a nossa filosofia e a nossa cultura. Mudando o mundo começando por nós.
Aqui, em Portugal, o Mestre DeRose é uma personalidade muito respeitada e o seu trabalho é muito bem recebido, por quem tem a sorte de o conhecer. Mas sim, há muito e muito para fazer.
A verdade, verdadinha é que temos nas mãos uma preciosidade que pode levar a Humanidade muito longe. Essa preciosidade é a sistematização do Yôga Antigo que tomou o nome de SwáSthya Yôga. E outra verdade é que foi De Rose que o fez. Isso nunca ninguém tirará isso de si, Mestre.
E sim! A verdade resplandece e ainda estamos todos na sala. Dia 14 de Fevereiro de 2009 fomos 850 a resplandecer. Separados por um oceano mas ligados pelo SwáSthya. Em 2010 seremos o dobro, o triplo ou, quem sabe, dez vezes mais a resplandecer ao som do sádhana.
Exorto todo o mundo a botar na boca do mundo, com honra e louvor, o nome SwáSthya!
Com amor e carinho
Zélia Couto e Santos
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 às 22:07
yogaweb.com.pt
Querido Mestre aqui em Portugal já passa da meia noite, por isso já é dia 18 de Fevereiro, dia do seu aniversário!
Muitos e muitos parabéns. Que tenha um dia muito feliz e que possa sentir no seu coração todo o amor e apreço que nós todos sentimos por si.
Que este seja um ano resplandecente de pújás efectivos.
Um maha abraço meu, do Zé Paulo, do Hugo, da Sofia e da minha neta Diana.
Zélia
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 às 12:08
yogaemsantos.com
Mestre, segue abaixo algumas palavras que falam dos artistas em geral. Neste caso, incluo você, como um grande artista que codificou uma grande obra.
Arte
“Nada existe a que se possa dar o nome Arte.
Existem somente artistas.”
(Gombrich)
Era uma vez homens que apanhavam um punhado de terra colorida e com ela modelavam toscamente as formas de um bisão na parede de uma caverna. Povos primitivos. Chamamos estes povos de “primitivos”, não porque sejam mais simples do que nós, mas por estarem mais próximos do estado em que, num dado momento, emergiu a humanidade. Alguns destes povos criaram na Índia Antiga, o Yôga, a dança, a luta, enfim, variadas formas de expressão a que podemos definir como arte. Hoje encontramos refinadas pinturas, um belíssimo Yôga codificado por um grande artista, diversas danças e lutas, além de muita música, teatro entre outras coisas.
Mas o que é arte realmente? E novamente Gombrich dizia:
“Todos gostamos do belo exibido pela natureza e somos gratos aos artistas que o preservam em suas obras.”
Para mim arte é simplesmente o fato de existir o artista. Pois, se ele existe, tudo que este escuta, executa, é uma forma de arte-expressão, seja ela externa ou internamente, seja apenas uma tentativa ou plena perfeição. Se for feito com sentimento, dedicação, não precisamos julgar nada, apenas apreciar, pois já será arte.
Muitos danos podem ser causados por aqueles que repudiam e criticam obras de arte por motivos errados. E, ainda mais importante, prova-nos que o que chamamos “obra-de-arte” não é fruto de uma atividade misteriosa, mas objeto feito por seres humanos para seres humanos.
Eu conheço um artista perfeito. Ele conseguiu codificar uma obra que fora perdida no tempo a mais de 5000 anos. E tenho certeza que não só eu, mas muitas pessoas que o conhecem sabem que esse artista realizou algo irretocável, algo que nada pode ser acrescentado, algo que está certo, um exemplo de perfeição em nosso mundo tão imperfeito.
“É fascinante observar um artista esforçando-se
por alcançar o equilíbrio adequado,
mas se lhe perguntássemos por que fez isso e mudou aquilo,
talvez ele fosse incapaz de explicar.
O artista não obedece a regras fixas.
Ele simplesmente intui o caminho a seguir.”
(Gombrich)
Será que o erro do artista é acreditar demais na sua obra? Ou é ter certeza de que tudo é possível, e levar consigo toda a segurança que o universo pode dar?
Não, pois a realidade é clara, arte é só arte. E deve ser vista desta forma. O artista não erra, incomoda. Pois a arte também é para isso, incomodar. Se um leigo tentar julgar, acaba por mentir a si mesmo.
“As pessoas gostam de se iludir:
Chamam de verdade à mentira;
compram sonhos e ilusões a qualquer preço,
mas repudiam a realidade com indignação irracional.”
(Mestre DeRose)
Enfim, é isso. Espero que goste destas palavras, foram inspiradas no livro “História da Arte” de Gombrich. Achei que combinava com o texto acima de alguma forma. Afinal, considero o SwáSthya Yôga, como uma obra de arte.
Um grande beijo no seu coração.
sexta-feira, 13 de março de 2009 às 11:40
bem, antes de mais nada, sempre é bom lembrar que somos uma espécie recente, pouco desenvolvida, sujeita a cometer injustiças numa inesplicável magnitude de julgamentos controvertidos, mas, assim caminha a humanidade, o julgamento precipitado de marcellino, não foi nada além de uma prova sobre a capacidade destrutiva que nos carrega e move nossos frágeis corações.
sempre necessitamos julgar, sempre, mesmo quando nada há para ser julgado, julgamos amigos por condutas meliantes, julgamos nossos pais pela correição violenta, julgamos nossos filhos por atitudes consideradas insanas, julgamos os miseráveis por serem miseráveis, julgamos religiosos por sua crença, julgamos tanto, e jogamos pela janela a oportunidade do perdão, da paz, da compreensão, caminhamos para um final, como foram os dinossauros, somos hoje nossa própria perturbação, enquanto não aniquilarmos esta existência inflexível e medíocre, estaremos sempre tentando finalizar e definir antes mesmo de amar, enfim, fadados somos ao final infeliz por tabela.