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terça-feira, 13 de julho de 2010 | Autor: DeRose

Normalmente, nós costumamos só visitar a página atual, mais recente, nos blogs e outros acessos que fazemos no Google etc. Porém, no caso deste blog – por ser de uma Cultura estável, milenar, de valores quase imutáveis, vale a pena dispor de algum tempo para ler e compartilhar as boas mensagens, artigos, pensamentos, experiências, músicas, vídeos, entrevistas, links, coreografias e todo um tesouro de comentários que os companheiros deixaram nas páginas anteriores.

Olá, Mestrão!
Para facilitar a navegação, formatei todo o texto em formato de teia de links. Se for conveniente, então que ele fique à sua disposição para o melhor uso. Um abraço forte e até daqui a alguns dias!
Montagna

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Você vai encontrar tópicos como:

meio ambiente, ecologia, clima, responsabilidade ambiental, biosfera, planeta, rios, dicas;

maneiras de melhorar o mundo;

alimentação, vegetarianismo, comer carnes, celebridades vegetarianas;

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vídeos, músicas, fotos;

coisas que a vida me ensinou (capítulos desse livro);

paradigmas, estereótipos;

história, arqueologia, filosofia, biografia;

ortografia, fonética, línguas, idiomas, linguística, latim, hebraico, sânscrito;

trabalho versus emprego; crise e sucesso profissional;

mensagens, artigos, pensamentos;

faculdade, universidade, pós graduação, MBA;

a gripe e outra pandemias, o que há por trás;

palestras de vários intelectuais, empresários de sucesso e de quem passou por experiências interessantes;

como os seres humanos tratam seus luminares;

relacionamento afetivo, boas maneiras, educação, boas relações humanas;

entrevistas com DeRose gravadas no Brasil e no exterior;

reportagens feitas com outros instrutores, cobertura de eventos;

coreografias lindíssimas de vários instrutores de diversos países;

ações sociais e humanitárias, filantropia, voluntariado, defesa civil;

Índia, Himálayas, templos, viagens, monumentos, Civilização do Vale do Indo;

Hinduísmo, Shiva, Upanishad, Yôga Sútra, shástras, escrituras hindus;

prevenção do câncer;

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artigos, crônicas, contos, ficção;

links relevantes para outros sites e blogs.


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sábado, 10 de julho de 2010 | Autor: DeRose

O outro lado do encontro com o Mestre

 

Estou com 18 anos de idade. Leciono Yôga desde os 16. Pratico Yôga há 5000 anos. “Nestas roupagens e nestas paragens” não sei ao certo quando comecei. Foi gradual. Um dia, um mudrá. Noutro dia, um pránáyáma. Noutro mais, um dhyána. Mais tarde, assisti à entrevista de um desportista que praticava coisas semelhantes às minhas e declarou que aquilo era Yôga. Certa vez, caiu-me nas mãos um livro de Rája Yôga, de Vivêkánanda. Nele, encontrei uma série de conceitos e técnicas que vinha desenvolvendo sozinho. Suspirei aliviado: “Então eu não era maluco! Havia mais alguém que pensava como eu!” Com o livro, descobri que aquilo já existia e tinha nomes em sânscrito.

Em pouco tempo devorei centenas de livros. Não apenas os de Yôga, pois esses citavam outros e eu recorria também a eles como fonte de apoio e conhecimento. Logo percebi que a maioria era puro engodo ou devaneio de seus autores. Contudo, no meio havia obras sérias e respaldei-me nessas. Hoje, aos 18, já li toda a bibliografia disponível e pratiquei tudo o que podia, com uma disciplina espartana. Sou estudante, vivo com meus pais, portanto, não preciso trabalhar para viver. Dedico tempo integral ao Yôga, inclusive o período escolar, pois passo as aulas de Física, Química, Matemática, Latim, a estudar os livros de Yôga.

Para que meus amigos não interferissem convidando-me a passeios, festas e namoros, pedi aos meus pais que me matriculassem no colégio interno, assim poderia praticar mais. Tive um grande progresso no desenvolvimento da musculatura e no incremento da saúde. Consegui um avanço razoável quanto às paranormalidades e estados de consciência. Mas estaria no caminho certo?

Todos os livros enfatizavam a necessidade de ter um Mestre de carne e osso. Então, procurei alguns autores de livros de Yôga. Mas, ao expor-lhes minhas experiências e estados de consciência expandida conquistados com a prática, todos, sem exceção, assumiam uma atitude de falsa humildade e diziam: “Oh! Quem sou eu para lhe ensinar? Eu não sei nada sobre Yôga. Não posso ser Mestre de ninguém.” Até que um dia perdi a paciência e questionei:

– Se você não sabe nada, como é que ousou escrever um livro sobre Yôga? Estava plagiando outros autores? Ou estava inventando? Acaso não sabe que, ao publicar isso, as pessoas leem de boa fé e acreditam nas suas palavras, nos ensinamentos de quem “não sabe nada”?

Não percebi na hora, mas esse meu desabafo feriu o orgulho disfarçado daquele professor e ele viria a se tornar um arquiinimigo implacável pelo resto da vida. Como ele era um homem poderoso durante a ditadura, desencadeou em todos os adeptos da ióga um hábito de me excluir, perseguir e difamar. Depois, um imitava o outro sem saber nem por que o fazia, mas agia assim porque “cão mordido, todo o mundo quer morder”.

Continuei praticando sozinho. Não obstante, alguns autores hindus alertam para os perigos de praticar só. Notei logo um problema. Meu ego foi tão esvaziado que começo a ter dificuldades de conversar com as pessoas, pois não consigo mais conjugar os verbos sem a primeira pessoa do singular. Como dizer “eu gosto de você”, sem o eu? Ainda que não pronunciasse a palavra eu, esse sujeito estaria oculto na frase, mas estaria lá – pois não há sentença sem sujeito. Teria que usar construções como “este ser gosta de você” ou “este corpo está com fome”. Mas aí, mesmo meus alunos de Yôga considerariam muita excentricidade. Então, fico calado. Afinal, não eram os próprios monges hindus que louvavam o silêncio? Alguns desses swámis recomendavam: “Quem pratica Yôga fala o mínimo possível para não gastar energia, e não sorri pelo mesmo motivo”. Só que outros livros criticam essa atitude, denunciando que o Yôga nunca aconselhou tal coisa e que os monges afirmavam que sim por viver num monastério – que é sabidamente lugar silencioso – e confundiam a norma monástica com o Yôga em si.

Os que criticam a austeridade dizem que tal comportamento poderia conduzir a distúrbios psíquicos, alienação, perda de contato com a realidade. Estaria eu descambando para um caminho errado? Só um Mestre de carne e osso poderia me orientar, mas não há ninguém!

Li, em vários livros, histórias de discípulos que contestavam seus Mestres, que os desobedeciam ou traíam. Que ingratos! Tudo o que eu quero na vida é ter um Mestre, e eles o têm e desprezam-no!

Estou tão só na senda! Às vezes, elevo o pensamento ao meu Mestre, pois ele deve existir e deve estar em algum lugar. Imploro-lhe que me apareça e não consigo conter a emoção: as lágrimas lavam-me o rosto.

Começam as férias escolares. Passo a praticar muito mais. Acordo às 3 horas da manhã para iniciar as práticas às 4 em ponto na praia deserta. Apesar do verão, a essa hora faz frio. Mas sou um brahmáchárya cumpridor. Controlo o frio, o calor, a fome, a sede, o sexo, a dor, tudo… Algo me diz que isto não está certo. Ir contra a natureza não pode ser saudável. No entanto, os livros que apoiam essa minha convicção são poucos. A maioria é extremista. O que fazer? A quem recorrer? Não quero ser indisciplinado, portanto, evito a colocação: “eu não concordo”. Quem sou eu para não concordar? Devo recolher-me à minha insignificância de discípulo e acatar tudo. Porém, estou apenas seguindo livros. Se eu encontrasse um Mestre que me dissesse o que fazer, poderia assumir uma posição definida. Se ele me dissesse que estou errado e que é preciso negar a Natureza e exercer controle absoluto sobre minha sensorialidade eu prosseguiria nessa linha sem pestanejar. Ou, se ele ensinasse que a Natureza deve ser observada e que nosso comportamento deve ir a favor e não contra ela, eu pararia de me violentar como conseqüência da leitura de livros de linha vêdánta-brahmáchárya.

É difícil compreender que alguém contando com a felicidade de ter um Mestre, possa desacatar sua orientação. Deve ser ego! Muito ego! Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Então, eu não devo estar pronto. Quem sabe, eu iria questionar e desobedecer. Talvez, até trair? Não! Trair, não!

Passei a dedicar longas horas a um honesto exame de consciência para saber se esse é o problema. Para descobrir se o Mestre não aparece por eu não ter ainda a maturidade, a disciplina, a fidelidade que se precisa devotar ao Mentor.

Lembrei-me de um desenho que fiz quando era mais novo, de um rosto ancião. Seria ele? Teria eu capturado sua imagem diretamente dos planos superiores? Por que, então, não o vejo? Por que não o ouço? Que droga!

Desenvolvi algumas aptidões, mas nenhuma delas me permite ver coisas ou ouvir os seres dos planos sutis. Afinal, as pessoas do ambiente que freqüento nas fraternidades espiritualistas, restaurantes vegetarianos e livrarias orientalistas, todos vêm e ouvem uma profusão de Mestres, entes e coisas. Aprendo muito com a intuição, porém, devo convir que ela não é tão espetacular quanto a clarividência e a clariaudiência. Contudo, semana passada (julho de 1962), conversando com um aluno meu de Yôga que é psiquiatra, tive a satisfação de saber que não ver nem ouvir coisas me deixa mais perto da faixa da normalidade. Já é um alívio. Então, me conformo. Mas só um pouco.

Escrevi um texto que leio todas as noites, no qual comprometo-me a respeitar, amar e acatar tudo o que vier do meu Mestre, se eu vier a ter um, mesmo as reprimendas e punições, com a mesma humildade e carinho:

Compromisso de fidelidade.

Ao meu Mestre, prometo valorizar seus ensinamentos e cumpri-los sem questionamento. Prometo ser leal e fiel. Prometo ser grato por tudo, para todo o sempre. Mesmo que eu não possua lucidez ou evolução suficientes para compreender, prometo acatar suas palavras e retribuir com lealdade, fidelidade e serviço. Meu lema é Aprender e Servir. Ainda que o Mestre me imponha as mais duras provas e as mais ríspidas punições, prometo aceitar a tudo com humildade. E, por piores que sejam as sanções, meu amor pelo Mestre será preservado e crescerá a cada dia.”


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sexta-feira, 9 de julho de 2010 | Autor: DeRose

Consta que Santos Dumont fora internado num hospício porque seus compatriotas brasileiros o consideravam louco. Imagine, falar sobre seus devaneios de querer voar! Imagine, querer carregar no pulso um relógio. Afinal, todos sabem que o lugar de relógio é no bolso do colete. Mas ele inventou o relógio de pulso que toda a Humanidade usa até hoje… no pulso! Segundo fontes extra-oficiais, seus amigos tiveram que sequestrá-lo do manicômio em que era tratado como demente, e levá-lo a Paris, onde realizou suas pesquisas e… conseguiu voar.

Existe toda uma barreira cultural praticamente intransponível às idéias que surgem fora das fronteiras dos países que fazem parte do clube. Eles não reconhecem o fato histórico de que o primeiro a conseguir o vôo de um aeroplano mais pesado que o ar foi o brasileiro Alberto Santos Dumont e insistem na balela de que foram os irmãos Wright.

Somente os brasileiros e os franceses reconhecem que o primeiro a conseguir o vôo de um aeroplano mais pesado que o ar foi o brasileiro Santos Dumont, embora os estado-unidenses, para ficar com os louros históricos, insistam na lenda de que foram os irmãos Wright. Filmes da época provam que o aparelho deles não venceu a força da gravidade, não decolou, mas foi catapultado por um mecanismo de disparo e depois planou com o auxílio de um motor. Na verdade, planou como uma pedra, pois teria “voado” quarenta e poucos metros, menos que o comprimento da classe econômica de um Boeing 747!

Mesmo assim, seu “vôo histórico” ter-se-ia realizado sem testemunhas, sem a imprensa, sem a presença de autoridades, ao contrário de Santos Dumont que realizou seu grande feito com testemunhas, jornalistas e autoridades. Depois que ele voou com o mais pesado que o ar, os irmãos Wright afirmaram que já haviam feito isso antes, na sua fazenda, sem testemunhas. Nunca, no mundo científico, aceitou-se tamanho absurdo.

Em 2004, para comemorar os 100 anos da data que os irmãos Wright declararam ter voado, cientistas nos Estados Unidos reconstruíram o aeroplano Wright com tecnologia do século XXI, baseados no projeto original. E… suprema humilhação! Nem com a tecnologia do Terceiro Milênio a geringonça conseguiu voar! Pior: o fiasco foi documentado e levado ao ar em todo o mundo pela Discovery Channel e reprisado várias vezes.

De mentiras históricas a História oficial está cheia. Outro fato semelhante foi o da invenção da máquina de escrever, cuja idéia genial está sendo usada até hoje no teclado dos computadores. Quem a inventou foi o padre paraibano Francisco João de Azevedo Júnior. Em 1861 a máquina já estava na Exposição Agrícola e Industrial de Pernambuco. No entanto, em 1867 Christopher Latham Sholes passou à História como seu inventor.


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terça-feira, 8 de junho de 2010 | Autor: DeRose

Este é um novo capítulo que será inserido no meu livro Ser forte.

Antes de prosseguir relatando as peripécias das minhas vidas, preciso contextualizar onde se passa a história. Vivo em um subcontinente que não considero seja um país e sim um conglomerado de nações federadas sob uma única nacionalidade. Somos vinte e sete estados, cada qual com a sua diferente etnia, religião, culinária e vertente linguística. Nas distintas combinações destas quatro variáveis, em proporções diversas, teceu-se uma vastíssima rede de culturas.

Como o país promoveu uma imagem equivocada de si mesmo no exterior, preciso esclarecer que nossa terra e nossa gente talvez sejam muito diferentes da percepção que o leitor acalenta, mesmo que seja meu conterrâneo!

Estes esclarecimentos também servirão para forrar a cultura de alguns povos que sistematicamente nos perguntam sobre cobras e macacos atravessando a Avenida Paulista. Ou que declaram àquela curitibana ou gaúcha “Você não tem cara de brasileira. Você é loira de olhos azuis!” Assim, para incrementar a cultura geral de muita gente pelo mundo afora, aqui vão algumas informações que provavelmente irão surpreender.

Somos a quinta maior economia do mundo (dados da revista The Economist, de novembro de 2009). Nossa população corresponde a um terço de toda a população da América Maior[1]. O nosso país sozinho (8.514.876 km2) é maior que toda a Europa Ocidental. Falam-se nada menos que 180 línguas (isso mesmo: cento e oitenta)!

Não se pode estereotipar o nosso povo, já que cada “nação” foi edificada a partir de imigrações muito diferentes. Não podemos, por exemplo, declarar que o povo aqui é branco, ou negro, ou oriental, ou aborígene. Cada estado tem preponderância de alguma dessas etnias. Ou de uma miscigenação particular. Também não podemos declarar que a população seja católica, ou protestante, ou judia, ou muçulmana, ou shintoísta, ou budista, ou que siga cultos afro. Cada cidade tem sua predominância. Para mencionar apenas alguns desses vinte e sete estados, podemos citar:

O estado do Rio Grande do Sul (281.748 km2) tem território maior que a Inglaterra, Escócia e Irlanda juntos (U.K. = 244.820 km2). A imigração foi principalmente alemã e italiana. Em algumas cidades, ainda é possível escutar os dialetos alemães (Hunsrückisch, Plattdeutsch) e italianos.

O estado de Santa Catarina (95.346 km2) é maior que a Hungria (93.030 km2). Nele, recebemos principalmente a imigração alemã e até hoje há cidades onde só se fala alemão, com exceção da capital, na qual a imigração foi principalmente açoriana. Também tivemos a presença italiana no sul do estado.

O estado do Paraná (199.709 km2) tem território maior que a Grécia (131.990 km2). A imigração foi principalmente alemã, holandesa, italiana, polonesa, ucraniana, japonesa e árabe.

O estado de São Paulo (248.808 km2) tem território em que cabem mais de oito Bélgicas (30.528 km2). A imigração majoritária foi a italiana. Depois, a japonesa. Em seguida, a árabe (libaneses, sírios e turcos). Tem uma população israelita bastante expressiva e que se dá muito bem com o segmento islâmico. Convivem lado a lado, fazem negócios entre si e ocorrem até casamentos entre suas famílias!

O estado do Rio de Janeiro (43.909 km2) é maior que a Suíça (39.770 km2). A imigração foi majoritariamente portuguesa, contudo, na serra instalaram-se finlandeses, suecos, suíços e alemães.

O estado da Bahia (567.692 km2) sozinho englobaria facilmente a Inglaterra, Escócia, Irlanda, Grécia, Hungria, Bélgica, Suíça e Portugal. Tem uma presença preponderante da cultura africana na religião, na culinária, na língua e na etnia.

Os estados do Norte são alguns dos maiores. São fascinantes, um outro mundo. Essas regiões apresentam uma influência maior das culturas indígenas.

No Nordeste tivemos invasões holandesas que deixaram muitos genes recessivos de olhinhos azuis que reaparecem aqui e ali; e também invasões francesas que resultaram no nome da capital São Luís.

No Sul e Sudeste as temperaturas no inverno podem chegar a alguns graus celsius abaixo de zero e em algumas cidades, como São Joaquim, costuma nevar.

Segundo o IBGE, dez por cento dos brasileiros tem ao menos um antepassado alemão e 25 milhões são descendentes de italianos, sendo que a metade desse número vive no estado de São Paulo. No entanto, como um todo, fomos colonizados pelo portugueses os quais nos concederam sua nobre língua que é a melhor língua literária do mundo. Oficialmente, falamos português. Coloquialmente, falamos brasileirês que possui uma sintaxe diferente da língua mater e um vocabulário bem diverso, com inumeráveis vocábulos agregados dos povos que para cá emigraram, mais os termos indígenas e africanos, o que tornou o brasileirês a língua de vocabulário mais vasto em uso hoje no mundo e de mais largo espectro fonético. No entanto, regionalmente, surgiram os dialetos simplificados do brasileirês, tais como o gauchês, o carioquês, o mineirês, o paulistês e o paulistanês etc.

As pronúncias são tão diversas que, normalmente, um habitante do Sul ou do Sudeste não compreende o falar do Norte ou do Nordeste. Temos, por exemplo, três tipos de r: o r francês, produzido na garganta; o r italiano, línguodental; e o r inglês, articulado principalmente no interior de São Paulo e de Minas Gerais.

Com uma vastidão territorial como a que foi descrita, bem como com tantas línguas e dialetos, é impressionante que tenhamos preservado uma unidade federativa e uma identidade nacional.

Para completar esta contextualização, que aparência têm as nossas cidades? Bem, cada cidade tem sua personalidade própria, mas podemos afirmar que São Paulo é uma das mais sofisticadas, confortáveis e seguras cidades do mundo (seguras, sim, pois em 66 anos de vida só fui assaltado uma única vez). Se precisássemos comparar São Paulo com alguma cidade, essa seria New York. São Paulo lembra um pouco Manhattan, só que é melhor. A gastronomia é a mais variada e refinada. Aqui encontrei a mais apurada qualidade de vida. Tanto que, depois de viajar o mundo todo, elegi essa capital para morar e como central internacional do nosso trabalho. Só o fato de que ninguém pára tudo e fecha tudo para o almoço, como fazem em tantos países, já constitui um grande conforto. Além disso, a qualquer hora da madrugada encontramos bons restaurantes, livrarias e supermercados onde podemos fazer compras às duas,  três ou quatro da manhã. A qualidade dos produtos e serviços, bem como a cortesia dos profissionais e dos empregados paulistas é proverbial. Até a Polícia Militar é formada por pessoas educadas e de boa índole. O atendimento hospitalar é superior ao da maior parte dos países europeus. Ah! E os nossos chuveiros! É uma delícia retornar ao Brasil e poder tomar uma ducha decente, fixa, com muuuita água, sem o risco de que a água quente vai se acabar no meio do banho.

Então, pergunto eu, será que há crocodilos no Sena ou no Tâmisa?


[1] Denominamos América Maior àquela porção de terras e países que se estende pelas três Américas, desde a Patagônia, no extremo austral da América do Sul, passando por toda a América Central, até o México, na América do Norte.

quarta-feira, 2 de junho de 2010 | Autor: DeRose

vivianesantos

Mestre, tem uma foto que eu gostei muito e gostaria de mostrar para você. Talvez você goste também. É de um tal perfume super especial…

Um super abraço.

http://www.flickr.com/photos/brru/3877993405/

Still por Brru.. 

Foto de Bruna Ramos

 

A lenda do perfume Kámala

Conta a lenda, que Muntaz era uma das esposas de um poderoso Maharája do Norte da Índia. Desalentada, via que seu senhor manifestava preferência pelas outras mulheres enquanto ela era rejeitada, apesar de procurar conquistar o coração do Rei, fazendo-se graciosa e tentando servi-lo da melhor maneira. Mas nada adiantava. As outras deviam ser mais adestradas nas artes do amor e colhiam os benefícios da satisfação do Maharája.

Certo dia, Muntaz procurou um Perfumista para que lhe preparasse uma essência a fim de ajudá-la a aprisionar o coração do Rei. O Perfumista, súdito daquele soberano, recusou-se a ajudá-la, temendo as consequências, caso fosse descoberto.

Muntaz, tomada de desesperança, recolheu-se às funções secundárias das esposas menos importantes e passou a tomar muito cuidado com as suas ações, pois os reis costumavam mandar matar as esposas inconvenientes.

Assim, ocupou-se da arte da perfumaria, tida em alta conta nas cortes indianas de antanho. Além dos incensos, era muito apreciada a utilização de fontes com chafarizes que, ao invés de água, jorravam água-de-colônia, para deleite do monarca e seus convidados.

Tempos depois, o reino foi visitado por nobres portadores de oferendas ao Marajá, constituídas pelas mais sutis fórmulas de todo o mundo, inclusive da Europa. Muntaz foi encarregada de servi-los como anfitriã e de aprender o que pudesse para aprimorar sua função.

O Perfumista-mor, homem idoso, cuja experiência o tornara observador de invejável acuidade, dirigiu-se a Muntaz e perscrutou:

Alteza, notei que o coração de certa dama da corte está triste pela falta de retribuição do amor que devota ao seu esposo.

Caro senhor, sua acutilância pode pôr em risco a privacidade dessa dama respondeu a desditosa consorte, não com hostilidade, mas com indisfarçável tristeza.

Asseguro-lhe que esse risco ela não correrá, porquanto posso ajudar tal dama com toda a discrição.

Ouvindo essas palavras, os olhos de Muntaz traíram a curiosidade, o desejo e a esperança. O ancião percebeu e sentiu-se encorajado a prosseguir:

Uma das mais bem guardadas fórmulas que trago na memória, é a do perfume denominado Kámala. Seu aroma poderoso é capaz de despertar a paixão do homem e da mulher, estimulando o desejo dos dois parceiros tão intensamente, a ponto de restabelecer os fluidos vitais dos homens impotentes e das mulheres frígidas. Esse secreto perfume foi elaborado originalmente com o objetivo de aumentar a energia das pessoas para despertar nelas a força da criatividade, da sensibilidade e do dinamismo para o trabalho intelectual. Mas os antigos observaram que sob sua ação, surgiram as outras manifestações que enriqueciam a vida amorosa. Foi aí que o batizaram com o nome Kámala, que é o outro nome da flor de lótus. Vou lhe ensinar essa fórmula para que Vossa Alteza possa auxiliar a dama em questão, ou qualquer outra que o necessite.

Depois de ouvir tudo isso, Muntaz não podia recusar a oferta. Disse-lhe, então, o sábio perfumista:

É preciso utilizar os mais fortes fixadores da natureza, para que este óleo fique tão impregnado no corpo a ponto de exalar o seu perfume por muitas horas e até dias. O âmbar, o civete e o almíscar conferem-lhe o fascínio da sensualidade. Por outro lado, o sândalo, a alfazema e a rosa de boa procedência proporcionam a nobreza, a delicadeza e a nota romântica do buquê. Isto é um grande segredo da perfumaria oriental, que o Ocidente ainda desconhece. Depois é só ir temperando com mais estas dezessete essências naturais, até ficar bem aveludado e macio. Finalmente, o Kámala deve ser posto a envelhecer num recipiente de cristal, cuja tampa precisa permanecer lacrada por um ano. Só depois desse tempo, pode ser utilizado. Mas atenção: a fórmula tem que ser preparada em noite de lua crescente e só se deve romper o lacre numa noite da mesma lua.

Muntaz fez exatamente como lhe havia sido ensinado. Um ano depois, muito emocionada, abriu o frasco. A fragrância invadiu seus aposentos. Conforme as instruções do velho perfumista, Muntaz resistiu à tentação e usou apenas três gotas na palma da mão, esfregou as mãos e, com elas, seu pescoço, colo e cabelos. Nessa noite, propositadamente, foi levar os quitutes ao Maharája. Este, ao sentir o perfume inebriante, pareceu notá-la pela primeira vez em tantos anos. Pediu-lhe que ficasse e se sentasse junto a ele. Perguntou-lhe por que haviam se distanciado e confessou-lhe o desejo de estar mais tempo em sua presença.

Assim, dia após dia, Muntaz foi conquistando o coração do Rei até que, finalmente, ele ficou loucamente apaixonado por ela e não se interessava mais pelas outras mulheres.

Conta-se que quando Muntaz morreu, o Marajá mandou construir um mausoléu enorme e lindíssimo em mármore branco, como jamais houvera outro igual em toda a Índia. E que, no palácio, encheu seus aposentos de espelhos dispostos de maneira que, onde quer que ele estivesse, pudesse vê-la em sua última morada. Hoje repousa ao lado dela, realizando suas juras de amor eterno.

 Nos séculos seguintes e até hoje, o perfume Kámala é considerado secreto e difícil de se conseguir, mesmo uma pequena quantidade. Somente os muito merecedores podem, eventualmente, obter um frasquinho com seu preceptor.

 [Esta lenda é apenas um conto escrito por mim, inspirado na belíssima história do Taj Mahal. O perfume Kámala trata-se de uma fórmula que criei e torna-se oportuno informar que nenhum fixador de origem animal que exija sacrifício é utilizado na confecção deste perfume. DeRose]