quarta-feira, 5 de agosto de 2009 | Autor: DeRose

O meu amigo Gustavo Cardoso, de Londres, me enviou este lindo texto que muito bem expressa o que sentimos um pelo outro:

gustavo321

Mestre,

Recebi isso do meu mais antigo amigo, era com ele que eu ia para a escola todos os dias pela manhã, tínhamos não mais do que 12, 13 anos quando nos conhecemos.
Falávamos, sobre sonhos, projetos, namoradas, e o que e mais interessante que passamos as vezes meses sem nos falarmos, mas quando ligamos um para o outro, e como tivéssemos nos falado ontem.
Apesar das distancias que nos separam, continuamos amigões do peito e fiquei emocionado quando ele me mandou.
Achei a poesia muito bonita e gostaria de compartilhar isso contigo e com todos os leitores.
Um grande abraco,
Gustavo de Londres

OS AMIGOS INVISÍVEIS

(Fabrício Carpinejar)

Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.

Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão. Amizade não é dependência, submissão. Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.

Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!

O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.

Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.

Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.

Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.. Não vou mentir a eles, vamos nos ligar? num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.

Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso os encontre, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação. Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.

Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação. Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.

19 comentários

  1. 1
    Fatima Ferreira
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 13:15
     

    É mesmo muito bonito o texto desse amigo. Como eu me identifico com cada palavrinha. Aquilo que sinto é que é impossivel deixar de se gostar de alguém de quem aconteceu gostar-se, mesmo que essa pessoa tenha deixado de pertencer fisicamente ao nosso quotidiano.
    Beijinhos para todos.
    (Mestre, os seus posts são tão lindos… :) ).
    Fátima Ferreira (unidade Antas, Porto)

  2. 2
    Marco Carvalho
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 14:07
    swasthya.marcocarvalho.com
     

    Acho que você vai gostar desse cartoon Mestre

    http://oblog.virgula.uol.com.br/omedi/wp-content/uploads/2009/08/chickenterrible.jpg

    Sobre trabalho e mudança de paradigmas

    Regina Wiese Zarling Reply:

    Muito bom o cartoon Marco.
    bjs
    Regina

  3. 3
    Regina Wiese Zarling
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 14:24
     

    Como diz a canção de Milton Nascimento e Fernando Brant:

    E quem voou, no pensamento ficou
    Com a lembrança que o outro cantou
    Amigo é coisa para se guardar
    No lado esquerdo do peito
    Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
    Mesmo esquecendo a canção
    O que importa é ouvir
    A voz que vem do coração

  4. 4
    Rosa
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 18:12
     

    Olá Mestre
    olha que texto bonito recebi por e-mail.
    E tudo mudou…

    O rouge virou blush
    O pó-de-arroz virou pó-compacto
    O brilho virou gloss

    O rímel virou máscara incolor
    A Lycra virou stretch
    Anabela virou plataforma
    O corpete virou porta-seios
    Que virou sutiã
    Que virou lib
    Que virou silicone

    A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
    A escova virou chapinha
    “Problemas de moça” viraram TPM
    Confete virou MM

    A crise de nervos virou estresse
    A chita virou viscose.
    A purpurina virou gliter
    A brilhantina virou mousse

    Os halteres viraram bomba
    A ergométrica virou spinning
    A tanga virou fio dental
    E o fio dental virou anti-séptico bucal

    Ninguém mais vê…

    Ping-Pong virou Babaloo
    O a-la-carte virou self-service

    A tristeza, depressão
    O espaguete virou Miojo pronto
    A paquera virou pegação
    A gafieira virou dança de salão

    O que era praça virou shopping
    A areia virou ringue
    A caneta virou teclado
    O long play virou CD

    A fita de vídeo é DVD
    O CD já é MP3
    É um filho onde éramos seis
    O álbum de fotos agora é mostrado por email

    O namoro agora é virtual
    A cantada virou torpedo
    E do “não” não se tem medo
    O break virou street

    O samba, pagode
    O carnaval de rua virou Sapucaí
    O folclore brasileiro, halloween
    O piano agora é teclado, também

    O forró de sanfona ficou eletrônico
    Fortificante não é mais Biotônico
    Bicicleta virou Bis
    Polícia e ladrão virou counter strike

    Folhetins são novelas de TV
    Fauna e flora a desaparecer
    Lobato virou Paulo Coelho
    Caetano virou um chato

    Chico sumiu da FM e TV
    Baby se converteu
    RPM desapareceu
    Elis ressuscitou em Maria Rita?
    Gal virou fênix
    Raul e Renato,
    Cássia e Cazuza,
    Lennon e Elvis,
    Todos anjos
    Agora só tocam lira…

    A AIDS virou gripe
    A bala antes encontrada agora é perdida
    A violência está coisa maldita!

    A maconha é calmante
    O professor é agora o facilitador
    As lições já não importam mais
    A guerra superou a paz
    E a sociedade ficou incapaz…

    … De tudo.

    Inclusive de notar essas diferenças
    Luis Fernando Veríssimo

    Beijos
    Rosália – São Paulo

    DeRose Reply:

    Pois é Rosália. Por isso, empregado virou funcionário; faxineira virou secretária; massagista virou terapeuta; artesão virou artista plástico; aeromoça virou comissária de bordo; piloto virou comandante; oculista virou oftalmo; dentista está virando odontólogo. E instrutor de SwáSthya Yôga? Talvez vire tecnólogo em qualidade de vida, ou life style coach ou instrutor do Método DeRose.

  5. 5
    Zelia Couto e Santos
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 19:09
     

    Amigo Gustavo, parabéns por teres um amigo assim! A amizade é tudo isso e muito mais.
    Obrigada por, também tu, seres meu amigo.
    Um grande abraço para ti e para todos os meus amigos que passaram pela minha vida e semearam alegria e doçura no meu coração.

  6. 6
    Alessandra Fernandes
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 0:40
     

    Olá, Mestre!

    Lindo texto, eu adorei.
    Aliás, esse post veio muito a calhar para mim nesse momento, em que acabei de assistir sua webclass sobre Egrégora, que está no site do Método.
    Bom mesmo é estar junto dos amigos porque se sente algo tremendamente arrebatador quando se está por perto… E quando se está longe também!
    Esse é o sentimento gregário, que abraça a todos nós, mesmo aqueles que estão em outro continente do globo. Uma identificação que diminui distâncias!!

    Um beijo,
    Alessandra Fernandes
    Complementanda
    Método DeRose Plaza Sul – São Paulo / SP

  7. 7
    Renata Coura
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 7:15
     

    Lindo texto…
    E para complementar, uma citação de William Shakespeare:
    “Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.”
    beijos com carinho

  8. 8
    mcordoni
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 8:07
     

    Olá Gustavo
    Que lindo! você me fez lembrar que tenho tantos amigos assim… Que gostoso começar o dia de hoje com essa sensação.
    Obrigada
    Márcia
    Santana – São Paulo

  9. 9
    Cristina Varela
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 8:20
     

    Olá Mestre!

    Adorei o texto sobre a amizade!
    Os meus amigos mais antigos, os de infância, aqueles por quem não é preciso racionalizar o sentimento – somos amigos e pronto – embora longe estão sempre presentes, sempre comigo. E como diz o Gustavo sobre o seu amigo, sempre que falamos, as conversas continuam como se o tempo não existisse.
    Pensei que agora na vida adulta fosse quase impossível criar amizades como aquelas, sem desculpas, sem cobranças, apenas porque sim, e com a inocência e a entrega da infância ou a intensidade e urgência da adolescência ou mesmo a descoberta e exageros dos “vintes”.
    Mas entretanto conheci o SwáSthya Yôga, entretanto conheci as pessoas maravilhosas da Unidade da Amadora (entre elas a querida Renata Sena). Depois conheci a nossa egrégora, depois decidi ser instrutora do Método DeRose, depois decidi abraçar esta filosofia de vida e tudo mudou…
    Sei que tenho amigos e que essas amizades estão a crescer, a amadurecer e que permanecerão para sempre, qualquer que seja o futuro!
    Obrigada Mestre pelo seu maravilhoso trabalho, entrega e partilha connosco!

    Beijinhos grandes,
    Cristina Varela

    (Unidade da Amadora – Portugal)

    Sara Garcia Reply:

    Oh Cristina, és tão linda :)
    Muitos beijinhos, saudades!

  10. 10
    Terezinha Dias
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 10:32
     

    Gusinho querido, nem de propósito!
    Acabo de vir do facebook onde comentaste uma foto nossa.. antiiiigaaa!
    Me deu uma saudade! Mas é como o texto diz, não precisamos estar juntos para sabermos que temos um ao outro!
    super beijo amigo!

    Mestre querido,
    Te sinto tão presente na minha vida, a cada pújá, a cada aula, a cada dia pela manhã quando acordo e penso no previlégio de fazer parte da nossa cultura, que a distância realmente não importa nada!
    Te amo de coração!
    beijinhos..

  11. 11
    Tamara Queiroz
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 16:55
    palavrasatropeladas.blogspot.com
     

    Ser nos amigos, perceber o que o amigo é em você e o que você é no amigo é maravilhoso.

  12. 12
    Kleber Lopes – Unidade Jardins/SP
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 17:08
     

    Eu que não sou de SP sou feliz por ter ótimos amigos (leais) que deixei na minha cidade natal. Mais feliz ainda pq ter também bons amigos aqui na capital, alguns adquiridos após conhecer o SwáSthya. In-crí-vel o texto !!!

  13. 13
    Marina Vilas Boas
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 19:29
     

    Gusss, saudades, teacher!

    O texto é bem legal, mas é tão gostoso estar perto e morrer de dar risada ao vivo também! Tô esperando inventarem o tele-transporte!! hehe
    Beijocas de Marinalva R. Teresa :) )))

    Ah, e muda essa fotinho aí que não dá nem pra ver você direto, vai?

  14. 14
    Vitor Calisto
    sexta-feira, 7 de agosto de 2009 às 19:29
     

    Muito bom esse texto!!!

    Um abração de Portugal para ti Gustavo e a todos os meus amigos, que fazem também deste blog uma ferramenta de amizade e união fantástica!!

    Vitor Calisto

  1. [...] trecho do texto sobre amizade no Blog do DeRose: Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. Temos o costume de [...]

  2. [...] Amigos, un texto muy emotivo visto en el Blog do DeRose (en portugués) [...]

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