Respondendo ao Gustavo e a tantos outros que tiveram a mesma dúvida, mas não a expressaram, preferi colocar um post sobre o assunto.
Sim, a palavra Yôga tem acento circunflexo em outras línguas, mesmo naquelas que não possuem o circunflexo, como o espanhol, e até nas que não possuem acento algum, como o inglês. Para documentar isso, escrevi um pequeno livro intitulado Yôga tem acento, no qual reproduzo textos, capas e páginas de rosto de obras em várias línguas e mais a excelente explicação do erudito Barahona que estudou sânscrito na Índia e realizou a melhor tradução da Bhagavad Gítá. Há também um capítulo que desenvolve esse tema, intitulado “A Yoga” ou “o Yôga”?, no meu livro Quando é Preciso Ser Forte. Recomendo sua leitura por parte de quem quiser se aprofundar.
Algumas obras que confirmam a existência do circunflexo na palavra sânscrita Yôga transliterada, são:
Para o espanhol: Léxico de Filosofía Hindú, de Kastberger, Editorial Kier, Buenos Aires.
Para o inglês: Pátañjali Aphorisms of Yôga, de Sri Purohit Swami, Editora Faber and Faber, London e Boston.
Para o português: Poema do Senhor (Bhagavad Gítá), de Vyasa, Editora Assírio e Alvim, Lisboa.
Além destes livros há muitos outros, assim como dicionários e enciclopédias que optaram por usar outros acentos, mas que reconhecem a necessidade de sinalizar a crase ao leitor. O mesmo ocorre com o ÔM. Vários livros e dicionários fazem-no constar com acento.
A grafia com Y no português está dicionarizada desde antes dessa letra ser reabilitada pela nova ortografia. Consta do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa. Consta do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora. E consta da Enciclopédia Verbo, de Lisboa.
Quanto aos que defendem que deve-se grafar “ioga”, devo lembrar que o mundo inteiro escreve com Y. Só o Brasil (e alguns segmentos em Portugal) escrevem-no com a letra I, o que constitui um constrangimento em Congressos Internacionais e uma verdadeira declaração de ignorância perante os Mestres da Índia. Certa vez, em um evento internacional, certo “professor” brasileiro presenteou Van Lysebeth com seu livro, em cujo título estava escrito “ioga”. O celebrado Mestre europeu não fez por menos. Comentou em alto e bom tom para que todos escutassem: “Meu caro senhor. Você não sabe nem escrever a palavra Yôga, como se atreve a publicar um livro sobre o tema?” Foi um vexame para o autor e um constrangimento para os brasileiros presentes ao episódio. Se os protagonistas de uma semelhante incultura fôssem os russos, ou estadunidenses, ou franceses, ou ingleses (que fizeram coisa similar ao suprimir o acento), o resto do mundo acataria respeitosamente. Os ingleses, por exemplo, ao não colocar o acento devido, foram imitados pelo mundo todo. Por que? Bem, ninguém sabia se tinha acento ou não tinha. Os primeiros a transliterar o sânscrito, em 1805, foram os britânicos. E eles contavam com um argumento culturalmente muito persuasivo: possuíam a mais poderosa Armada do planeta!… Mas tratando-se de um latinoamericano a cometer uma falha análoga, o preconceito cultural só poderia induzir a reações como a do ilustre Presidente da Federação Belga.
O que me deixa mais perplexo é que alguns dicionários declaravam que a palavra Yoga devia ser escrita com I porque o Y não existia na nossa língua, mas aceitavam serenamente grafar outros vocábulos com Y, como é o caso do Dicionário Aurélio que tenho em minha biblioteca e que acata subservientemente as palavras baby, play-boy, playground, office-boy, cow-boy, sexy, bye-bye, milady, railway e muitas outras preservando a escrita original com Y (aliás, eu gostaria de saber para que queremos o termo railway! Não utilizamos estrada de ferro?).
Pior ainda foi a truculência do Dicionário Houaiss, ao declarar que Yoga tem de ser escrito ioga, porque o Y não existia no português. E, ao mesmo tempo, na letra Y faz constar: yacht (iate), yachting (iatismo), yanomami [do tupi-guarani], yen [do japonês], yeti [do nepalês], yom kipur [do hebraico], yama, yantra, yoni [do sânscrito], todos com Y, mas Yôga, não. Isso é uma arbitrariedade inadmissível!
Para quem defende o aleijão “ioga”, mas é de tradição judaica, pergunto: consideraria correto escrever “iom quipur”? Ou isso seria uma violentação cultural, etimológica e ideológica?
____________________
Querido Grande Mestre,
Deixo mais uma referência para a língua portuguesa:
Marques, Paulo, Caminho de Luz, Planeta Editora, Maio de 2005, Lisboa.
Este autor escreve “yôga”.
Um grande abraço.
João Camacho





quarta-feira, 14 de janeiro de 2009 às 13:43
Mestre,
Obrigado por exclarecer as minhas dúvidas. Realmente dá pra perceber que cada um escreve como acha melhor e poucos se atentam no “detalhe” de pesquisar mais no assunto como você.
Ao meu ver só existe um jeito certo de se escrever Yôga, que é em sânscrito. O resto são representações, das quais Yôga é a mais correta.
Um dia espero conversar com você pessoalmente, pois o admiro e respeito.
Abraço apertado de um Sádhaka.
Gus
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 11:31
Mestre, no dêvanágari o acento da sílaba tônica não é claro, alguns colocam um traço horizontal na sílaba inferior à escrita outros colocam um traço vertical na sílaba conectado a linha superior que já é presente, você tem alguma instrução para esse assunto?
Desde já agradeço.
Abraços, Everton.
DeRose Reply:
maio 21st, 2010 at 11:58
Tenho. Creio que está na webclass sobre o sânscrito. Deve estar também no nosso pocket “Yôga tem acento”.
Everton Vieira Reply:
maio 21st, 2010 at 12:31
Thanks
Everton Vieira Reply:
maio 21st, 2010 at 13:24
Ótima aula!
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 13:43
metododerosepelomundoeventos.blogspot.com
É tão simples, se na escrita em dêvanágari, a palavra é acentuada, é óbvio que em sua transliteração a mesma deve continuar sendo acentuada, independente da escrita do país ou idioma. Mas as pessoas gostam de complicar, ee confundem transliteração com tradução.
Bjs
Regina
Método DeRose Alto da XV
Curitiba-PR
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 13:55
alexandremontagna.com
Olha que notícia linda, Mestrão:
DeRose Method Studio in SoHo is committed with children education
Instructor Marcelo Tessari was on May 18th at 2010 Gala Award Presentation honoring Greg Mortenson, whose story of remarkable humanitarianism is being brought to life for students across America…one school at a time.
Marcelo, representing DeRose Method Studio in SoHo, offered $1,000 in DeRose Method classes to be part of the fundraising auction to children education in New York.
We are committed with the future of next generation and the future of our planet.
Fonte: DeRoseMethod.us
Alexandre Montagna Reply:
maio 21st, 2010 at 13:56
A imagem não saiu antes:
DeRose Reply:
maio 22nd, 2010 at 0:44
E não saiu agora também… Insista! A tecnologia de internet ainda está na pré-história.
DeRose Reply:
maio 22nd, 2010 at 0:46
Que ótimo! Parabéns, Marcelo, pela iniciativa. Obrigado, Montagna, por ter postado a notícia.
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 19:18
Olá Mestre!
Procurando no Google Books, achei outros tantos livros, que citam a palavra com acento.
Interessante também foi descobrir essa escrita Kannada.
http://en.wikipedia.org/wiki/Kannada_language
Ela lembra o Devanagarí, mas é mais “redondinha”.
Achei essa Telugu também:
http://en.wikipedia.org/wiki/Telugu_language
Tamil
http://en.wikipedia.org/wiki/Tamil_language
Malayalam
http://en.wikipedia.org/wiki/Malayalam
(a partir daqui já me perdi com tanta informação, nem imagino como era perambular pela Índia, em busca de um trabalho sério sobre a filosofia prática)
Abaixo alguns dos livros no Google Books, que permitem visualização:
http://books.google.com.br/books?q=%22y%C3%B4ga%22&lr=&sa=N&start=110
Título A Kannada-English dictionary
Autor F. Kittel
Edição 3
Editora Asian Educational Services, 1999
ISBN 8120600495, 9788120600492
Num. págs. 1752 páginas
http://books.google.com.br/books?id=epPhgMbrmdMC&pg=PA1323&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=P_L2S86vBabukwSbmqTjCQ&cd=6#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Krishna-lila: ou, Mystères de l’avatar de Krishna
Volume 8 de Les joyaux de l’orient
Editor Sakti-vel
Editora Geuthner, 1937
Original de Universidade de Michigan
Digitalizado 15 maio 2007
Num. págs. 182 páginas
http://books.google.com.br/books?id=C_czAAAAMAAJ&q=%22y%C3%B4ga%22&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=S_H2S5CuLYfMkwSX-5HqCQ&cd=262
Título Introduction à l’histoire du bouddhisme indien, Volume 1
Autor Eugène Burnouf
Editora Impr. royale, 1844
Original de Universidade de Lausanne
Digitalizado 3 out. 2008
Num. págs. 649 páginas
http://books.google.com.br/books?id=TSoVAAAAQAAJ&pg=PA638&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=sfH2S7z3HqiCkgSYpYTZCQ&cd=160#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Le Bhâgavata Purâna, ou histoire poétique de Krichna, Volume 1
Le Bhâgavata Purâna, ou histoire poétique de Krichna, Eugène Burnouf
Autor Eugène Burnouf
Editora Impr. Royale, 1840
Original de Universidade de Lausanne
Digitalizado 12 out. 2009
http://books.google.com.br/books?id=j7I-AAAAcAAJ&pg=PA323&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=9PP2S-mdNajukwSkhM2kCQ&cd=83#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Annales de philosophie chrétienne, Volume 44
Editora Bloud & cie, 1852
Original de Universidade de Michigan
Digitalizado 5 jun. 2007
http://books.google.com.br/books?id=DzI2AAAAMAAJ&pg=PA206&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=9PP2S-mdNajukwSkhM2kCQ&cd=84#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Epigraphia Indica, Volume 33
Volumes 13-14 de [Reports]: New imperial series, India Archaeological Survey
Autores Devadatta Ramakrishna Bhandarkar, India. Archaeological Survey, India. Dept. of Archaeology
Editora Manager of Publications, 1987
Original de Universidade de Michigan
Digitalizado 11 nov. 2009
http://books.google.com.br/books?id=XwHpAAAAMAAJ&q=%22y%C3%B4ga%22&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=9PP2S-mdNajukwSkhM2kCQ&cd=85
Título Transactions of the Second Annual Congress of the Federation of European Sections of the Theosophical Society
Autor Council of the Federation
Editora Kessinger Publishing, 2003
ISBN 0766141985, 9780766141988
Num. págs. 488 páginas
http://books.google.com.br/books?id=wRtTI1mDdI8C&pg=PA213&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=9PP2S-mdNajukwSkhM2kCQ&cd=88#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Etnografia Da India Portuguesa – 2 Vols
Autores A.B. Pereira, Pereira A. B. De Braganca
Editora Asian Educational Services
ISBN 812060640X, 9788120606401
Num. págs. 308 páginas
http://books.google.com.br/books?id=w1jteqvtCcYC&pg=PA39&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=9PP2S-mdNajukwSkhM2kCQ&cd=90#v=onepage&q=%22y%C3%B4ga%22&f=false
Título Mây mưa Thụy Sĩ: tiẻ̂u thuyé̂t gián điệp
Tủ sách
Tủ sách Z. 28
Autor Người Thứ Tám
Editora Đại Nam
Original de Universidade da Califórnia
Digitalizado 17 jan. 2007
Num. págs. 455 páginas
http://books.google.com.br/books?id=w7EZAAAAIAAJ&q=%22y%C3%B4ga%22&dq=%22y%C3%B4ga%22&lr=&ei=K_T2S7zXIpPakgSM-OzFCQ&cd=119
Um abraço,
Fernando Salvio
Al Campinas – São Paulo – SP – Brasil
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 20:06
metododeroseitalia.com
Caro Mestre, é interessante porque até no italiano, que não possui na sua ortografia o acento circunflexo, o coloca em termos como ÔM, ômkára, em obras conceituadas como o melhor livro do próprio André Van Lysebeth, que o Mestre cita neste post.
Um abraço de Roma!
sábado, 22 de maio de 2010 às 0:36
uni-yoga.org
Está bem, Charlão. Se você é quem diz eu assino embaixo. Beijos.
sábado, 22 de maio de 2010 às 0:39
uni-yoga.org
Sabe, Cobi, vejo tudo isso com muito otimismo. Todas as opções que a Julieta lhe sugeriu são excelentes. Estou aguardando-o em São Paulo e aí conversaremos sobre as demais opções. Um forte abraço e um super apoio a você.
segunda-feira, 24 de maio de 2010 às 17:09
leilanelobo.blogspot.com
Ótimos exemplos, Mestre.
Bom ter isto no blog!
sábado, 29 de maio de 2010 às 16:20
nossacultura.org
Querido Grande Mestre,
Deixo mais uma referência para a língua portuguesa:
Marques, Paulo, Caminho de Luz, Planeta Editora, Maio de 2005, Lisboa.
Este autor escreve “yôga”.
Um grande abraço.
João Camacho
DeRose Reply:
maio 30th, 2010 at 4:10
Muito boa contribuição, Camacho. Obrigado! Forte abraço.