Lembra-se de que há algum tempo a Fée enviou um informativo para coletar textos intitulados: “Eu conheci o DeRose”?
Na ocasião, algumas pessoas enviaram seus textos, mas depois caiu no esquecimento. Agora ela está retomando a compilação da obra e convida você a participar. Por uma questão de praticidade, poderá postar seu texto no blog.
Vamos torcer para que o projeto chegue a um bom termo e que os depoimentos sejam interessantes, inusitados, curiosos, verdadeiros, engraçados, profundos, sinceros. Enfim, que tenhamos um livro divertido e instrutivo, cujo objetivo não seja adular nem lustrar o ego de quem quer que seja, mas sim acrescentar, elucidar, esclarecer, ilustrar e registrar fatos que contribuam para a construção da nossa história. Fatos esses que às vezes só uma pessoa conhece, fatos que eu mesmo talvez não conheça, fatos que quase todos já tenham esquecido ou jamais sabido, mas que possam ser do interesse da nossa “famiglia”.
Acho que cabe aqui citar um texto que a colega Tânia Loureiro postou aqui no blog:
Mestre, partilho consigo e com o mundo DeRose a analogia feita pelo médico, cientista e professor universitário brasileiro, no campo da farmacologia – Gilberto de Nucci – sobre o comportamento Humano.
Ele diz o seguinte:
“Os Homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.
Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos.
Por isso, durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuimos, presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.
E nos julgamos melhores que ele – sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.”
… Felizmente que nós carregamos as duas sacolas bem na frente, atentos às qualidades e aos defeitos!
Beijo com muito SwáSthya!
Tânia Loureiro




quinta-feira, 27. agosto 2009
Fée queres que eu conte como conheci o De, por aqui, ou preferes que eu envie para teu e-mail ?
Bjs
Regina-Curitiba
quinta-feira, 27. agosto 2009
Oi!
Eu já mandei os meus textos em fevereiro 2008, por mail (ao mail da Vivi) e em papel, em espanhol e em português
Se por acaso for preciso novamente (porque o arquivo tenhase perdido ou qualquer outra causa) me avisem.
Beijinho!
A.
Bs As
quinta-feira, 27. agosto 2009
Nos meses de agosto acontece o Festival Internacional de Yôga de São Paulo. Em 2001 eu era apenas um neófito, tinha pouco mais de 2 meses de prática e fui ao Fest-Yôga de sampa.
- Você vai gostar desta vivência – minha instrutora disse isso me empurrando para dentro da sala.
- Mas é em espanhol… – retruquei
- É muito fácil de entender.
A vivencia se chamava: La Vivencia de Los Ásanas, com o então Prof. Edgardo Caramela que hoje é Maestro. Para alguém com só 2 meses de prática foi barra. Eu suei um monte. Não foram permanencias muito longas, mas para a minha percepção da época pareciam horas em cada posição.
Em um trikônásana, pensei: nossa, sou o cara, óh o quanto já desci. Ao abrir os olhos, tive meu treinamento de humildade, a Anahí estava com a mão tocando o chão.
Na hora de retornar, eu tinha ficado tanto tempo (para os meus padrões da época) que a musculatura estava tão estendida que eu não tinha força de puxar meu corpo para cima. Tive que desfazer de qualquer forma.
Mais tarde naquele mesmo dia, um pouco dolorido. Passeava pelo salão do hotel, meio perdido em meio aquela multidão e então um aglomerado de gente se formou e eu não sabia o que estava acontecendo.
Era o DeRose que estava ali, possivelmente passeando de forma despretenciosa como sempre faz nos festivais. Eu estava a alguns bons metros da aglomeração de pessoas que o cumprimentavam.
Meu impulso foi ir lá cumprimentá-lo, mas pensei: ah! imagine, deixa para lá. Olhei para outro lado, me distraí com alguma coisa e então quando me virei na direção do bôlô bôlô (aglomerado) me deparei com o DeRose bem na minha frente. Não sei que cara que fiz, mas ele abriu os braços e eu meio que por reflexo também e ganhei um abraço.
Eu não falei nada, estava muito embasbacado. Certamente eu lembraria se ele tivesse dito algo, mas acho que dado o momento nenhuma palavra serviria.
E foi assim que conheci o DeRose, que posteriormente tornou-se meu professor, amigo e Mestre. Quase uma década aprendendo a melhor filosofia do mundo.
DeRose Reply:
agosto 27th, 2009 at 23:27
Que depoimento mais lindo, Marco! Me emocionei.
sexta-feira, 28. agosto 2009
Olá Mestre!
Não sei se o melhor é que eu deixe o texto por aqui, ou que envie por e-mail. Ainda estou trabalhando na crônica sobre o dia em que “Conheci o DeRose”, mas vou mandar um texto sobre a metáfora da minha vida depois que conheci o DeRose.
Ainda que esse texto talvez não reflita exatamente a proposta da Fée em seu livro, por não se tratar de uma história concreta (mas não por isso menos verdadeira), envio-o como um gesto de agradecimento.
“Era uma rocha, apenas. Apresentava-se como quem ainda era uma parte, e não um todo: ela ainda não sabia ser nada além de uma simples rocha, apenas sentia que era diferente das demais. Mas não sabia explicar o porquê.
Seus traços eram rígidos: eram tão descompromissados que nem chamavam o olhar.
Ela queria ser diferente, e não conformar-se em ser uma simples rocha para sempre, assim como todas as outras. E, pensando nisso, ela nem notou quando o Artista resolveu reclinar-se sobre ela.
Mas foi justamente ele quem a viu de verdade pela primeira vez.
Quando a encarou bem de perto, ele vislumbrou que dentro de toda sua rigidez havia um brilho alaranjado que pulsava. Não teve dúvidas de que aquela rocha merecia seus esforços de artesão.
Ele tinha mãos macias, que arriscaram desenhar sobre a aspereza daquela superfície. Ao invés das mãos se ferirem, foi a rocha quem cedeu: a suavidade daqueles gestos penetrou em cada sulco, e amaciou pequenas imperfeições eclodidas em sua textura. Ele prosseguia acreditando que nada nela era implacável, e ela esforçava-se para que os toques daquele Artista fossem cada vez mais transformadores.
Ele sabia disso, e por isso investiu na beleza bruta que seus poros exalavam. Ele não quis conformar-se com uma pedra fosca, e por isso transformou-a em Arte.
O Artista entregou-a seu tempo, e ela aceitou humildemente. Ele depositou com brandura sobre ela palavras e toques, e ela entregou a ele tudo de mais colorido que havia dentro dela: esmeraldas e raios de sol.
Era fascinante a poesia de seus gestos. As mãos leves e ao mesmo tempo poderosas, cada movimento perfeitamente encadeado, como uma dança ao som da melodia perfeita do Universo.
Paciente como um beija-flor, ele soube entalhar cada detalhe novo àquela textura outrora tão rudimentar. Rodeava-lhe aos poucos, enfeitava seus cantos mais obscuros, refinava-lhe os traços, e suavemente dava a ela a chance de ser um todo, e não apenas mais um pedaço.
Com sabedoria moldava novas curvas, antes inimagináveis àquela tão sólida rocha. Pois que sua dureza não era assim tão incontestável, e agora o Artista respondia com a sua obra àqueles que antes lhe disseram que ele não sabia o que estava fazendo.
Ele entregava-lhe toda técnica e todo seu talento, e ela absorvia-os como uma aprendiz, tornando-se parte dele.
Minuciosamente, foi-se construindo uma nova forma. Ela tornou-se o que havia de melhor dentro dela mesma: lapidando pacientemente a rocha mais bruta, o Artista fez brotar dali uma delicada escultura, que atraía o olhar de todo ser com alma sensível.
E assim, foi ele quem desvelou aos poucos a pulsão viva que estava no âmago de sua obra, e finalmente seu brilho intenso invadiu tudo ao redor.
O Artista sorriu para sua obra, e ela brilhou intensamente para ele. Agora, a luz alaranjada era mais intensa, e aquecia o coração de quem a pudesse ver.
As ondas do mar eternizaram a inédita beleza que o Artista talhou, o sopro do vento deu-lhe vida, e ela aprendeu também a passear pelo mundo transformando rochas tímidas em esculturas exuberantes.
E o mundo nunca mais foi o mesmo… ”
Um beijo carinhoso,
Alessandra Fernandes
Unidade Plaza Sul / SP
DeRose Reply:
agosto 29th, 2009 at 2:26
Que lindo, Alessandra!
terça-feira, 15. setembro 2009
Quando entrei na Escola de São Bernardo, representante do Método DeRose pensei: – Venho aqui duas vezes por semana e está bom!
Aos poucos travei contato com pessoas lindas, cultas e interessantes. Juntava-se um grupo com pessoas de 17, 25, 37, 43 e 60 anos, advogados, arquitetos, músicos, surfistas, procuradores e conversávamos de igual para igual. As diferenças enriqueciam as ideias e encantavam umas às outras.
Logo percebi mudanças em meu corpo, em meu ânimo, no desempenho no basketball. Percebi que finalmente tinha as ferramentas para trazer à tona tudo o que eu havia sonhado ser.
…
Agora, dez anos depois, após centenas de cursos, jantares e longos papos com o Mestrão já estou totalmente mergulhado na Nossa Cultura.
Pensando sobre como conheci o DeRose percebi que fiz isso quando entrei naquela sala e já comecei a me identificar com aquelas pessoas, aquele lugar, com a amizade, o carinho, o companheirismo e o senso de missão no olhar de cada uma.
DeRose extrapolou a pessoa. Através da herança cultural que ele nos trouxe, que influencia cada minuto do meu dia. Seus ensinamentos são sensíveis e avassaladores. Transformam e sublimam. E ultrapassam quaisquer limites, classificações ou padrões que o empobreceriam se tentassem mesmo enquadrá-los.
Hoje ao nos encantar com a decoração de uma das nossas escolas, ao admirar uma realização de um companheiro, ao perder o ar com uma coreografia estamos conhecendo o DeRose e a visão de mundo que ele nos transmite.
Vejo mais e mais o DeRose quando vou para um lugar conhecido e as pessoas são lindas, amigas e prestativas porque vêem a medalha que carrego ao peito. Conheço-o quando penso no que posso fazer para contribuir com uma pessoa que nunca vi, pois temos um propósito em comum.
Sinto que travo mais contato com a grande mente que ele é, quando através das técnicas da Nossa Filosofia descubro algo sobre mim. Em algumas vezes algo lindo, noutras, um detalhe que preciso mudar.
Sei quem é o DeRose quando extrapolo um limite, quando respeito uma emoção, quando supero um problema. E quando sei olhar toda a beleza de uma brisa que acaricia meu corpo.
Sei que o desvendo quando realizo muito no meu trabalho, quando toco contrabaixo de forma inspirada, quando dou uma aula que transforma as pessoas. Quando amo cada minuto do meu dia.
E quando sinto uma tristeza e sei que ela faz parte de mim, e nem a lamento. Sei que é uma energia a ensinar-me algo. E consigo ver a semente do bem que me abalou. E Sorrio.
Encontro o DeRose enquanto me conheço, enquanto aprendo a gostar mais de mim. Nos momentos em que aprendo a respeitar as pessoas, a não me impor. A defender meus ideais e aquilo no que acredito.
Conheço o DeRose quando o vejo sorrir. E sinto o olhar dele ensinando. Conhecê-lo e também identificar-se com sua mensagem, com suas palavras e com seu amor pela humanidade. E ouvir e assimilar o conhecimento transbordante que ele transmite. e saber-se privilegiado por tê-lo escolhido, como amigo, como supervisor e como Mestre.
quarta-feira, 16. setembro 2009
O ano era 1992, eu tinha 15 anos e praticava Bio-Ex (o pai do Pré-Yôga) na minha cidade natal, Pelotas no interior do sul do Brasil. Minha professora organizara um curso e eu estava animadíssima! Auxiliei na organização daquele evento, recebendo instrutores e alunos que chegavam de todo o país e da Argentina.
Lembro exactamente do momento em que o conheci, toda a expectativa se tornava real, concreta e objetiva. Ao olhar nos olhos do Mestre, percebi claramente que tinha encontrado a Cultura que encaixava perfeitamente com a minha forma de estar no mundo. Recordo de desejar que aqueles dias nunca acabassem…
Foi um final de semana de imersão em uma filosofia que para mim ainda era bastante desconhecida, mas que naquele momento fez todo o sentido. Confesso que não consegui desgrudar os olhos e a consciência da figura do Mestre. Cada palavra tinha uma lógica precisa e a sensação era a de ver todas as peças de um grande puzzle a se encaixarem.
Mas o final de semana terminou e na segunda-feira eu já tinha decidido me tornar instrutora do Método DeRose! Dali para frente foi um dia depois do outro. Abrir a escola, viajar pelo Brasil, expandir a percepção sobre a forma de ser e estar na vida.
Viajar à Índia na sua companhia daria um livro (ou melhor, um dia dará). No entanto muito mais do que conhecer lugares, a grande mais-valia foi sempre o convívo com o Mestre, aprender nas entrelinhas, quando ele orienta, indica o caminho, fala ou cala, são sempre oportunidades da aprender.
Hoje, olhando para trás acho que foi tudo um pouco rápido, mas certamente a influência dele, apoiando, incentivando, dizendo as palavras certas nos momentos exactos, foi fundamental para o meu sucesso na profissão.
O tempo passou, muita coisa aconteceu, hoje dirijo minha escola na cidade do Porto e a distância Portugal-Brasil por vezes torna-se penosa. A saudade cresce e o tempo que estamos juntos, sempre parece pouco.
Mas felizmente, as memórias existem para isso, para fechar os olhos e reviver cada instante como se o passado se tornasse presente, e o tempo e o espaço se fundissem na eternidade da lembrança.
DeRose Reply:
setembro 20th, 2009 at 16:08
Letícia, minha querida, você me arrancou lágrimas de emoção com seu depoimento. Vi em você o gérmen de uma grande instrutora, empresária e escritora, já aos 15 aninhos, e não me enganei. Tudo aflorou de forma lindíssima. Só falta agora a escritora. O seu depoimento me mostra que basta priorizar o tempo para escrever seus livros. Beijinhos com admiração, saudade e muito afeto.
domingo, 20. setembro 2009
Como conheci o DeRose
Idos de 1994. Tinha acabado de iniciar as práticas do Método DeRose, que já conhecia através de minha irmã. Minha professora, D. Ely Camargo, organizou um curso com o DeRose em Chapecó, interior de Santa Catarina. Essa senhora de 75 anos na época, dona de uma flexibilidade surpreendente e de uma energia contagiante, realizava muitos eventos na capital do oeste catarinense. Levar o DeRose para uma cidade do interior e fazê-lo com sucesso era um senhor desafio.
Estava lendo o livro Yôga, Mitos e Verdades, em uma de suas primeiras edições, daquelas com capa alaranjada. Os ensinamentos e as histórias ali contadas não saiam de minha cabeça. Após alguns instantes de leitura em minha cama antes de dormir, sonhava com os casos contados no livro. Para mim, o DeRose tomava ares de uma pessoa culta, muito sagaz e com uma personalidade cativante.
Inscrevi-me no ciclo de cursos, que durava um final-de-semana inteiro. A estrutura era de 4 aulas sobre 4 temas distintos por dia. No total, eram ministrados 8 conteúdos do curso básico, mais um bate-papo na segunda-feira para quem tivesse interesse na formação profissional.
D. Ely conseguiu a façanha de lotar a sala da Universidade do Oeste de Santa Catarina. Havia 120 inscritos e muita divulgação na imprensa local. Além disso, ela conseguiu deslocar vários professores famosos de Nossa Cultura. Dentre estes, lembro claramente da Profa. Maria Helena Aguiar, Presidente da Federação de Yôga do Paraná e minha atual monitora. Sentia-me privilegiado de estar ali, tendo acesso aos conhecimentos. Ao mesmo tempo, fiquei encantando com tanto conhecimento e cultura.
Em um dos intervalos, venci o receio e fui cumprimentar o DeRose. Imediatamente, ele deu-me um pedaço de giz e pediu para que eu desenhasse o Ôm no quadro negro. Não faço mínima idéia se eu fiz o traçado iniciático. Muito menos sei qual foi a conclusão dele ou que se passou por sua cabeça. Mas o fato é que este contato mudou para sempre a minha vida. De alguma maneira, senti-me transformado depois daquele sábado e daquele domingo. Fiquei imbuído do sentimento para praticar e dedicar-me mais.
Após o término, viajei para Belo Horizonte. Fui fazer uma semana de treinamento no Instituto de Desenvolvimento Gerencial, do Prof. Vicente Falconi. Este compromisso impediu-me de participar do colóquio sobre a formação profissional realizado na segunda-feira. Mas os ensinamentos do DeRose me tomaram de tal maneira que, na segunda-feira mesmo, parei de comer carne.
Foi engraçado, pois no café da manhã, de maneira consciente, evitei comer os tradicionais embutidos. Mas lembro claramente do almoço. Os colegas esbaldavam-se de pratos à base de carne. Eu, firme da minha decisão, aprendi ali a garimpar no cardápio os pratos que não contivessem bichos mortos em sua composição.
Neste ano de 2009, completei 15 de anos de prática e 10 como profissional do Nosso Método. 15 anos de vegetarianismo. 15 de mais proximidade com o DeRose, pessoa que me fez ver a vida de um forma totalmente diferente. Meu esforço é o de procurar retribuir, com humildade, lealdade e ações efetivas, toda a minha gratidão por ele ter mostrado um novo paradigma de vida: mais lúcido, mais saudável e mais descomplicado.
Obrigado, De, do fundo do coração!
Nilzo – Curitiba